Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Clientes apoiam Mercearia São Pedro e criticam Lei do Psiu

Ruído do bar é ‘preço da cultura’, dizem; bar foi fechado pela lei na sexta-feira, 18, mas pode permanecer aberto por causa de decisão judicial

Edison Veiga e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2014 | 23h16

Um clima de "desafio alegre" tomava os frequentadores da Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, na noite de ontem. O bar funciona normalmente uma semana após uma vistoria constatar que o local não havia se adequado ao Programa de Silêncio Urbano (Psiu). Segundo a Prefeitura, uma decisão judicial mantém o lugar aberto.

Mas, para o gerente, que se identificou só como Neto, tudo isso "que foi publicado na imprensa é mentira". Ele disse que os donos e advogados da casa vão se pronunciar publicamente sobre o caso na semana que vem.

Os clientes estavam indignados com o possível fechamento do bar. "Queremos barulho mesmo. Somos anarquistas. O nosso negócio é acordar bebês", disse sarcasticamente à reportagem um dos frequentadores, que não quis se identificar. Para o educador Fernando Pimentel, de 27 anos, a ideia de fechar o Mercearia "é uma visão careta de quem não entende que isso é cultura".

Assíduo frequentador do bar, o escritor Marcelino Freire defende uma solução apaziguadora. "A burocracia muito sisuda, muito pragmática, tudo dentro do quadradinho. A lei existe e tem de ser cumprida, mas é possível fazer um acordo com os vizinhos. O que não podemos é perder esse patrimônio imaterial, essa boemia tão salutar para as artes."

O presidente da Sociedade Amigos da Vila Madalena (Savima), Cássio Calazans, defende o bar, mas concorda que é preciso fazer ajustes. "Ele foi um dos primeiros bares (do bairro). Com a evolução da Vila Madalena, foi pegando nome", conta. "Mas as coisas aconteceram e o bar não foi arrumando."

Um morador da vizinhança, que não quis se identificar, disse que espera que a lei seja cumprida. "Não quero o fechamento do bar, mas preciso de silêncio na madrugada. É pedir muito?"

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