Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Clientes apanham em novo arrastão no Morumbi

Foi o 7º ataque no ano a restaurantes da região; entre as vítimas, 2 engenheiros alemães que não entenderam o português dos ladrões

Elvis Pereira e Pedro da Rocha, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2011 | 00h00

"Olha para mim", gritou um assaltante para um dos clientes do Fraga"s, no Morumbi, zona sul de São Paulo, antes de golpeá-lo com o cabo do revólver. A agressão aconteceu anteontem, durante o sétimo arrastão a restaurantes na região neste ano, segundo a Polícia Civil. Os três ladrões recolheram dinheiro, notebooks, relógios, cartões e passaportes de dois turistas alemães. Fugiram e, até ontem, a polícia tentava confirmar a identidade de um dos acusados.

O ataque teve início por volta das 22 horas. Os três assaltantes chegaram ao restaurante, na Rua José Jannarelli, em um Corsa e renderam dois clientes que jantavam em uma mesa colocada na calçada. Um acusado escondia o rosto com um cachecol, outro usava boné e óculos escuros e o terceiro mantinha a cabeça coberta com o capuz da blusa.

"Dá tudo, dá tudo, senão eu mato", diziam os assaltantes, segundo a dona do restaurante, Ana Maria, de 57 anos. Um deles ficou do lado de fora vigiando a entrada e os outros dois entraram no salão. Na hora do crime, o estabelecimento tinha 15 clientes, cinco funcionários e a proprietária. Um seguiu para o caixa do estabelecimento e retirou cerca de R$ 500. Outro exigia os pertences das pessoas.

Foi quando um dos clientes foi agredido com uma coronhada. "Um senhor de idade, os bandidos não têm respeito", desabafou o administrador Robles Ambrosano, de 46 anos, também feito refém. "Agrediram sem motivo algum. A gente sai para se divertir e acontece isso. É um absurdo a situação do jeito que está, não tem segurança nenhuma, estamos sujeitos a sofrer violência a qualquer momento."

O administrador conta que a mão de um dos criminosos - justamente a que segurava a arma- tremia. "Ele devia estar drogado. Naquele momento pensei que ficaria por ali. Que morreria."

Entre os clientes estavam dois engenheiros alemães, de 42 e 32 anos. "Eles não entenderam de imediato o que acontecia, por não falarem português. Os bandidos ficaram com raiva e deram tapas na cara deles, antes de roubarem as carteiras e seus passaportes", disse o advogado Sérgio Floriano, de 52 anos, que teve a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) roubada.

Ao todo, os criminosos roubaram oito cartões de crédito e débito, cheques no valor de R$ 10,9 mil e R$ 4.580, US$ 120, 100 e 250 liras turcas em dinheiro, além de dois celulares, dois notebooks, quatro óculos, duas raquetes de tênis e um iPod.

Histórico. Antes do Fraga"s, o bar Gogó da Ema, na mesma rua, já havia sido invadido por ladrões duas vezes, em um intervalo de cerca de 30 dias. Segundo a polícia, outros dois estabelecimentos da região também foram roubados neste ano, um deles três vezes.

O delegado adjunto do 34.º DP (Vila Sônia), Nilson Benito Júnior, afirmou que cinco casos foram solucionados.

CRONOLOGIA

Desde junho, mais 6 casos

10 e 11 de junho

Por dois dias, o Nicota, na Rua Costa Carvalho, em Pinheiros, é alvo de arrastão.

30 de junho

Bandidos assaltam um restaurante japonês na Rua Padre Carvalho, em Pinheiros.

3 de julho

O alvo é um restaurante na Rua Botucatu, Vila Mariana.

13 de julho

Durante um jogo do Brasil, ladrões fazem arrastão no Empório Alto de Pinheiros.

26 de julho

Criminosos invadem a choperia Compadrio, na Granja Julieta, e roubam 30 clientes.

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