Cliente fica 6 h no salão por ''filosofia''

Há seis horas, o cobrador de van Gabriel Proença, de 24 anos, observa no espelho o trabalho da cabeleireira Tatiana Nascimento, que, com uma agulha, encrespa fio a fio o seu cabelo muito liso. Ele foi cedo de São Vicente, no litoral sul, para a Galeria do Rock, no centrão de SP, disposto a "fazer um rastafári". "Não é vaidade, é filosofia", justifica Proença, mais conhecido como Gabriel Marley, em alusão ao cantor Bob Marley. "Tenho uma conexão forte com o reggae."

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

13 Março 2011 | 00h00

Para a maior parte das mulheres brasileiras, encrespar os cabelos é como blasfemar. "Deus pode até castigar, que pecado", diz a gerente de telemarketing Nilza Ribeiro, de 23, que alisa os dela em um salão vizinho.

Apesar da conexão com roqueiros como David Grow, do grupo Foo Fighters, e Travis Barker, do Blink, o vendedor Felipe Cardim, de 24 anos, optou pelo chamado "corte desconectado", que admite falhas e buracos. Felipe é coautor do corte. "Digo o que quero e um camarada meu vai executando", explica.

Quem o vê pela primeira vez tem a impressão de que o cabelo veio junto com o boné. Prático, o corte pode ser executado pelo próprio dono, quando não aparece o tal camarada.

Felipe o arremata com sabonete de glicerina, que dá um ar "sujinho". Se no futuro ele precisar de uma escova progressiva, pelo menos vai poder dizer que teve motivos.

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