Cliente é furtado em shoppings nobres

Neste ano, 48 casos foram registrados em centros de compras de São Paulo; crime é recorrente sobretudo em praças de alimentação

CAMILLA HADDAD, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

15 Março 2012 | 03h04

Nem o forte esquema de segurança de shoppings de áreas nobres de São Paulo tem impedido a ação de criminosos contra clientes. Pelo menos 48 casos de furto - crime em que o bandido age discretamente, sem que a vítima perceba - foram registrados neste ano apenas no Cidade Jardim, Morumbi, Ibirapuera, Bourbon, Iguatemi e Eldorado. Os objetos mais visados são smartphones, carteiras e bolsas. Grande parte das ações ocorre nas praças de alimentação.

"Confesso que nunca me preocupei tanto em olhar a bolsa. O shopping tem muita segurança", diz a corretora Maria do Carmo Soares, de 47 anos, frequentadora do Ibirapuera. Segurança até há, principalmente porque desde 2010 os centros de compra reforçaram a vigilância, após série de ataques a joalherias. Guaritas blindadas, aquisição de armas e coletes à prova de balas e aumento do efetivo foram medidas adotadas. Cada shopping investe, em média, R$ 1,5 milhão por ano.

O administrador de empresas Mendel Sanger, de 46 anos, contava com a tranquilidade relatada por Maria do Carmo, mas teve furtada, no início deste mês, sua mala de couro durante um almoço de negócios, no MorumbiShopping. "Fiquei sem a mala, que continha meu computador, celular e chave. Não tenho mais esperança de encontrá-los."

Os casos relatados são parecidos. Clientes deixam algum objeto por instantes longe dos olhos e depois não os encontram mais. Há ataques na garagem também. No mês passado, Tatiana Arata teve o carro aberto no estacionamento do Eldorado. Levaram som, mochila e estepe. "O segurança falou que é comum", diz. Segundo ela, houve contato do shopping. "Parece que vão me ressarcir." Em outra ação, uma atendente teve seu iPad levado de um balcão no Cidade Jardim.

Para o consultor em Segurança da Migdal Consultin, Emerson Caetano, frequentadores de shopping precisam ter cuidados. "Olhar a vitrine sem manter a atenção é outro problema, assim como o velho hábito de pendurar bolsa na cadeira", avisa. Caetano diz também que a maioria das vítimas não leva o caso à polícia. Por isso, as ocorrências podem estar subnotificadas. "Ou é pelo valor irrisório do produto ou porque a pessoa não quer perder tempo na delegacia", diz.

Segurança garantida. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), os clientes não estão desprotegidos. Frequentadores com atitude suspeita, em circulação por lojas ou corredores, têm sido seguidos discretamente por vigias. A intenção é fazê-los notar que são observados. "É uma ação preventiva que não causa alarde", diz o diretor de Relações Institucionais da Alshop, Luis Augusto Ildefonso da Silva. "Existe uma boa repressão, mas infelizmente ainda há casos de furto."

Outra estratégia é a presença de seguranças à paisana. O Shopping Eldorado, além de orientar clientes sobre riscos dos pertences sobre mesas, mantém vigilantes 24 horas nos pisos. Sem uniforme, alguns monitoram suspeitos identificados por câmeras.

Funcionários do Bourbon confirmam o uso da mesma tática, mas o shopping informou que ações de segurança são "estratégicas" e não quis comentá-las. O Ibirapuera e o Morumbi também não se pronunciaram. O Cidade Jardim informou que não recebeu comunicado sobre o caso relatado. O Iguatemi informou que tem completa infraestrutura e circuito fechado de câmeras para zelar de forma "efetiva pela segurança de clientes".

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