Cliente é furtado em shoppings nobres em São Paulo

Neste ano, houve 48 casos registrados em centros de compras de São Paulo; crime é recorrente sobretudo em praças de alimentação

Camilla Haddad - Jornal da Tarde,

14 Março 2012 | 22h50

SÃO PAULO - Nem os fortes esquemas de segurança de shoppings de áreas nobres de São Paulo têm impedido a ação de criminosos contra clientes. Pelo menos 48 casos de furto - crime em que o bandido age discretamente, sem que a vítima perceba - foram registrados neste ano apenas no Cidade Jardim, Morumbi, Ibirapuera, Bourbon, Iguatemi e Eldorado. Os objetos mais visados são smartphones, carteiras e bolsas. Grande parte dos ataques ocorre nas praças de alimentação.

"Confesso que nunca me preocupei tanto em olhar a bolsa. O shopping tem muita segurança", diz a corretora Maria do Carmo Soares, de 47 anos, frequentadora do Ibirapuera. Segurança até há, principalmente porque desde 2010 os centros de compra reforçaram a vigilância, após uma série de ataques a joalherias. Guaritas blindadas, aquisição de armas e coletes à prova de balas e aumento do efetivo de vigias foram algumas das medidas.

O administrador de empresas Mendel Sanger, de 46 anos, contava com a tranquilidade relatada por Maria do Carmo, mas teve furtada, no início deste mês, sua mala de couro - durante um almoço de negócios, no Shopping Morumbi. "Fiquei sem a mala, que continha meu computador, celular e chave. Não tenho mais esperança de encontrá-los", afirma. Sanger estava sentado em uma área externa do shopping.

Os casos relatados são semelhantes. Os clientes deixam algum objeto por alguns instantes longe dos olhos e depois não os encontram mais. No mês passado, uma cliente do Eldorado, que não quis ser identificada, conta que teve seu carro aberto no estacionamento. Foram furtados som, mochila e painel. Em outra situação, uma atendente teve o iPad levado de um balcão no Cidade Jardim. Ela não notou quando um criminoso tomou seu tablet.

Para o consultor em segurança da Migdal Consultin, Emerson Caetano, frequentadores de shopping estão mais preocupados em encontrar uma vaga para parar o carro do que com a segurança. "Olhar a vitrine sem manter a atenção é outro problema, assim como o velho hábito de pendurar bolsa na cadeira", avisa. Depois do crime, Caetano diz que a maioria não leva o caso à polícia. Por isso, as ocorrências podem estar subnotificadas. "Ou é pelo valor irrisório do produto ou a pessoa não quer perder tempo na delegacia", diz.

Segurança garantida. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), os clientes não estão desprotegidos. Atualmente, frequentador com atitude suspeita, que muitas vezes circula pelos corredores sem levar nada, é seguido de forma discreta por seguranças.

A intenção é fazê-lo notar que é observado. "É uma ação preventiva interessante, que não causa alarde", diz o diretor de Relações Institucionais, Luís Augusto Ildefonso da Silva. "Há boa repressão, mas infelizmente ainda ocorrem casos."

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