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 Vencedor de um concurso nacional, o bailarino Wendel Santos ganhou o direito de disputar em Nova York um importante concurso   TABA BENEDICTO / ESTADAO

Classificado para festival em NY, bailarino brasileiro de 12 anos luta para arrecadar dinheiro

Nascido na periferia de São Paulo, Wendel dos Santos superou o bullying na escola, venceu a competitividade de outros dançarinos e agora sonha em se apresentar para 'olheiros' de todo mundo

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 15h36

Aos 8 anos, Wendel Vieira Teles dos Santos já causava espanto ao abrir espacate no meio da rua, em frente à casa da família, no conjunto habitacional Fazenda do Carmo, no extremo da zona leste. A habilidade era fruto do empenho nas aulas de street dance, que frequentou durante um período, na Fábrica de Cultura de Cidades Tiradentes.

Mas foi o pai, Edson Creuso Teles dos Santos, de 47 anos, que, percebendo a aptidão do filho, fez a seguinte sugestão: “E se você fizesse balé para melhorar ainda mais sua flexibilidade?”. A princípio, o garoto estranhou e respondeu com um “balé é coisa de menina”. A mãe, Marleide de Jesus Vieira, de 43 anos, acompanhou a reação do filho e também ponderou ser o balé “uma coisa não muito adequada”.

Não à toa, Wendel chora ao falar do pai. Foi ele quem insistiu e explicou para a família que o balé é para todo mundo, independentemente de gênero. “Eu devo muito ao meu pai, foi ele quem primeiro me levou às aulas e sempre me apoiou. Graças a ele eu estou aqui hoje”, contou Wendel.

O “aqui” de Wendel, agora com 12 anos, é o início de uma carreira profissional no balé, com apresentações no Teatro Municipal, prêmios em festivais como o de Joinville e a oportunidade de dançar no Youth America Grand Prix (YAGP), em Nova York, no próximo mês de abril – ocasião em que poderá se apresentar para “olheiros” das principais companhias de dança do mundo, como Bolshoi, Royal Ballet, American Ballet Theatre, Ballet da Ópera de Paris e outras.

A questão é que, apesar da classificação para o Grand Prix, a organização não se responsabiliza por nenhum gasto da viagem, que inclui passagens aéreas (para ele e a professora responsável, a ex-bailarina Priscilla Yokoi), estadia e alimentação. A estimativa é que todo o pacote custe aproximadamente R$ 27 mil.

Sem recursos, a família de Wendel está tentando arrecadar a quantia por meio de vaquinhas de internet, rifas entre familiares e venda de uma camiseta com a silhueta do filho. A camiseta é vendida por R$ 20 – e sempre entregue em mãos pelo próprio pai de Wendel. Até agora, a família arrecadou um pouco mais de R$ 300. Ou seja, o sonho da apresentação nos EUA ainda está muito distante.

Rotina.

O amor pelo balé não deixa Wendel desanimar. Ele já superou o bullying na escola, dos colegas que no início o isolavam por ser um “menino dançarino”, já venceu a competitividade e a inveja de outros bailarinos – em uma ocasião teve seu figurino cortado por um colega. “Nada na nossa a vida é fácil. Se escolhi o balé, tenho de estar pronto para enfrentar tudo”, falou Wendel, com uma desenvoltura pouco usual para crianças de sua idade.

Todos os dias, Wendel enfrenta uma rotina que começa às 6 horas, quando acorda para ir à escola (está no 7º ano do ensino fundamental). Ao voltar para casa, almoça rápido (faz uma dieta balanceada e acompanhada pela irmã, Evelyn, que é estudante de Nutrição) e segue para os ensaios no bairro da Mooca. Quando está com sorte, tem carona do pai ou da própria professora de balé. Mas, na maioria dos dias, vai de transporte público (dois ônibus e um metrô). No caminho, ouve rap nos fones de ouvido. Atualmente, muito Racionais e Emicida.

Apoiado pela ONG Social Bom Jesus, Wendel ensaia em uma sala no Mooca Hall. A professora Priscilla contou que, “além de todas as ferramentas de um bom bailarino”, o menino tem muito amor pela dança. “O amor é fundamental. A dança exige muito sacrifício, mas ele tem feito tudo com amor e dedicação”. Para ela, a importância de Wendel ir a Nova York é a oportunidade que ele terá de ver outros garotos, bailarinos de todo o mundo, iguais ou melhores do que ele, em ação. “O intercâmbio cultural será a coisa mais importante dessa viagem”, disse.

Apesar da participação em Nova York ainda depender de um dinheiro que ainda não existe, Wendel segue ensaiando, repetido movimentos complexos e perseguindo a delicadeza e a precisão. Como incentivo, o menino se inspira no bailarino e coreógrafo Carlos Acosta, do Royal Ballet. “Ele é cubano e negro. Tem uma história com algumas semelhanças com a minha”, falou o garoto.

Mesmo com algum incômodo causado por uma tendinite no joelho, o maior sacrifício do menino tem sido abdicar de coisas típicas da idade. “Tento dormir cedo e não ficar tanto tempo no celular. Evito jogar bola para não me machucar. E, apesar de gostar muito, tenho evitado McDonald’s e Burguer King”, falou. Claro, se conseguir se apresentar em Nova York, Wendel pensa em comemorar visitando um belo fast food. 

Para ajudar o Wendel e comprar sua camiseta, mande uma mensagem privada no Instragram dele, o @wendelvieirateles.

Ou pela vaquinha virtual:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/wendel-em-nova-york

 

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Em apenas 24h, Vaquinha virtual para levar bailarino para NY sai de mil reais para mais de 20 mil

Pelo Twitter, o influenciador digital Felipe Neto disse que também vai ajudar Wendel Vieira Teles dos Santos, de 12 anos, com custos de viagem para participar do Youth America Grand Prix (YAGP)

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2020 | 17h00

SÃO PAULO - Uma corrente de solidariedade vai transformar o sonho do bailarino Wendel Vieira Teles dos Santos, de 12 anos, em realidade. Em abril, ele vai se apresentar no Youth America Grand Prix (YAGP), em Nova York. Até a última quarta-feira, 5, uma vaquinha virtual para arrecadar recursos para essa viagem contava com apenas R$ 1 mil. Nesta sexta, 7, após a publicação de sua história pelo estadao.com.br, a vaquinha já ultrapassava os R$ 30 mil.

Acostumado aos movimentos precisos do balé, Wendel não se privou do prazer de simplesmente pular na cama ao saber da notícia. “Queria agradecer todo mundo”, disse. “Meu pai está descabelado de tanto responder mensagens. Estou vendo meu sonho chegar mais perto.”

A história do menino bailarino começou quando ele ainda tinha 8 anos – e já causava espanto ao abrir espacate no meio da rua, em frente à casa da família, no conjunto habitacional Fazenda do Carmo, no extremo da zona leste de São Paulo. A habilidade era fruto do empenho nas aulas de street dance. Mas foi o pai, Edson Creuso Teles dos Santos, de 47 anos, que, percebendo a aptidão do filho, fez a seguinte sugestão: “E se você fizesse balé para melhorar ainda mais sua flexibilidade?”. No início, o garoto estranhou e respondeu com um “balé é coisa de menina”. A mãe, Marleide de Jesus Vieira, de 43 anos, acompanhou a reação do filho e também ponderou ser o balé “uma coisa não muito adequada”.

Não à toa, Wendel chora ao falar do pai. Foi ele quem insistiu e explicou para a família que o balé é para todo mundo, independentemente de gênero. “Devo muito ao meu pai, foi ele quem primeiro me levou às aulas e sempre me apoiou. Graças a ele eu estou aqui hoje.”

O “aqui” de Wendel é o início de uma carreira profissional no balé, com apresentações no Teatro Municipal, prêmios em festivais como o de Joinville e às vésperas de dançar no YAGP, em Nova York – ocasião em que poderá se apresentar para “olheiros” das principais companhias de dança do mundo. Apesar da classificação para o YAGP, a organização não se responsabiliza por gastos da viagem – estimados em R$ 27 mil.

A família de Wendel tentou arrecadar a quantia por meio de vaquinhas de internet, rifas e a venda de uma camiseta. Até quarta, havia arrecadado pouco mais de R$ 300 com a venda de camisetas e atingido R$ 1 mil na vaquinha virtual. Com a publicação de sua história pelo [BOLD]Estado[/BOLD], a corrente de solidariedade fez com que muitos leitores apoiassem o sonho de Wendel. 

Até nesta sexta-feira, 8, à noite, o valor arrecadado era de R$ 32.871,94. O garoto também recebeu mensagem de apoio de Thiago Soares, brasileiro que se tornou o primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres. Além disso, o influenciador digital Felipe Neto teve o nome marcado em uma publicação sobre Wendel. Ao saber do que se tratava, interessou-se pela história e também vai ajudar a custear a viagem.

Garoto superou bullying de colegas no colégio

Wendel já superou o bullying na escola, o comportamento dos colegas que no início o isolavam por ser um “menino dançarino” e também já venceu a competitividade e a inveja de outros bailarinos – em uma ocasião teve seu figurino cortado por um colega. 

Todos os dias, enfrenta uma rotina que começa às 6 horas, quando acorda para ir à escola. Ao voltar, almoça rápido e vai para os ensaios no bairro da Mooca. Na maioria dos dias, vai de transporte público (dois ônibus e um metrô). No caminho, ouve rap nos fones de ouvido – atualmente, muito Racionais e Emicida. Apoiado pela ONG Social Bom Jesus, Wendel ensaia em uma sala no Mooca Hall. A professora Priscilla Yokoi diz que “além de todas as ferramentas de um bom bailarino”, o menino tem amor pela dança. Para ela, a importância de ir a Nova York é a oportunidade que Wendel terá de ver outros garotos, bailarinos de todo o mundo, iguais ou melhores, em ação. 

Diariamente, Wendel continua ensaiando, repetindo movimentos complexos e perseguindo a delicadeza e a precisão. Como incentivo, ele se inspira no bailarino e coreógrafo Carlos Acosta, do Royal Ballet. “Ele é cubano e negro. Tem uma história com algumas semelhanças com a minha”, diz o garoto. 

O maior sacrifício, diz, tem sido abdicar de coisas típicas da idade. “Tento dormir cedo e não ficar tanto tempo no celular. Evito jogar bola para não me machucar. E, apesar de gostar muito, tenho evitado McDonald’s e Burguer King.” Ao que tudo indica, no próximo dia 8 de abril, ele estará embarcando para Nova York. Na mala, além das sapatilhas (e a vontade de visitar um fast-food), o menino levará a torcida e o carinho de muito gente.

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