Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Classe C investe em design e decoração

Arquitetos conhecidos fecham parcerias com magazines; quanto aos clientes, maior dificuldade está em imaginar ambientes prontos

Valéria França, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2011 | 00h00

Depois do conforto garantido - com os financiamentos, a TV de plasma já está na sala e a geladeira com freezer na cozinha -, a classe C investe agora na decoração. Surgem revistas, guias, blogs e até decoradores que começam a especializar-se em transformar os ambientes com custo reduzido.

Como aconteceu no universo da moda, quando os fashionistas passaram a criar coleções para lojas populares, agora nasce o fast design. Arquitetos conhecidos por projetos luxuosos da Casa Cor fecham parcerias com magazines. É o caso de Marcelo Rosenbaum, que assina neste mês um guia de decoração para as Pernambucanas, rede com 272 lojas no País. Em 27 páginas, ele dá ideias de ambientes com objetos da loja, sempre destacando o útil e o acessível.

O escritório do arquiteto desenvolveu móveis e acessórios para a classe C. A linha Pindorama de toalhas de mesa de plástico, um clássico do churrasco de domingo, ganhou estampas descoladas. O metro custa R$ 7. Inspirado nas sementes brasileiras, um aparelho de jantar com 20 peças sai por R$ 225.

Seguindo os mesmos moldes, a Casas Bahia montou um blog de decoração, em teste, que conta com a assessoria de uma equipe de profissionais da área. A vantagem é que a ferramenta vai possibilitar tirar dúvidas dos consumidores, muitas surgidas nos balcões das lojas.

Já o Magazine Luiza fechou parceria com a Dell Anno, linha de móveis planejados que desenvolveu uma cozinha exclusiva retrô popular. Os móveis saem com o nome de Telasul, a segunda linha mais econômica da Dell Anno. A primeira é a New, aberta há dois anos, especialmente para a classe C, que já conta com 200 lojas.

Arredondando. "Mas ela (a classe C) tem dificuldade de imaginar o resultado final, a composição no ambiente", explica o arquiteto Ruy Ohtake, que projetou a construção de um conjunto habitacional em Heliópolis, na zona sul da capital paulista. São 71 edifícios redondos, cada um com 18 apartamentos de 52 metros quadrados, distribuídos em quatro andares. "Como o projeto é arrojado, os futuros moradores acharam que não haveria móveis adequados para um espaço redondo", conta Ohtake, que teve várias reuniões com a comunidade. "Até decoramos uma das unidades para ficar em exposição."

A primeira ideia do arquiteto era desenhar o mobiliário. "Mas a construtora achou que deveríamos usar móveis que fossem baratos e fáceis de encontrar. Foram gastos R$ 20 mil para comprar tudo, do fogão ao triliche branco das crianças que fica no segundo quarto.

Na mesma Heliópolis, neste semestre, a Escola Técnica Estadual (Etec) promove uma disputa em que os moradores vão concorrer a um ambiente de casa repaginado pelos alunos da primeira turma do curso de Design de Interiores. "Estamos fechando parcerias para colocar o projeto em prática", conta Eduardo Lopes, coordenador do curso.

Com um orçamento menor, de apenas R$ 15 mil, Saulo Szabó, do escritório de arquitetura Szabó e Oliveira, planejou um apartamento de 40m². "Nesse custo entraram os móveis, quadros, revestimentos das paredes, iluminação e a minha comissão." Mas o cliente tem de aceitar certas limitações, como repaginar móveis antigos e usar materiais alternativos.

Investimento

R$ 17,97 bi

foram gastos no ano passado, por integrantes da classe C, para tornar a casa mais bonita

5,7 vezes

foi o quanto cresceu esse investimento, em comparação com 2002

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