Ciúme foi a causa da morte de Isabella, diz mãe

'A minha imagem era a imagem dela', diz Ana, que revela o que sentiu ao ver a filha no chão

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

11 de maio de 2008 | 23h03

Voltar do trabalho, chegar em casa e não ser recebida pela filha; não poder dormir com ela, com as pernas entrelaçadas, como era o costume das duas. Essa é a hora mais difícil do dia para Ana Carolina Oliveira, de 24 anos, que passou ontem o primeiro Dia das Mães sem sua filha, Isabella Nardoni, de 5 anos, morta no final de março ao cair do sexto andar da casa do pai, Alexandre Nardoni, e de sua madrasta, Anna Carolina Jatobá. "É a hora mais difícil do dia. Porque eu sei que vou chegar em casa, e ela não vai estar lá", afirmou, com lágrimas nos olhos. Veja também:Advogados protocolam habeas-corpus de casal NardoniGilmar Mendes cobra cautela na apuração da morte de IsabellaAmeaçada, Anna Carolina Jatobá é transferida para TremembéImagens da prisão do casal  Leia a conclusão da Justiça sobre o inquéritoFotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella   Bastante emocionada, com um olhar abatido, vestindo uma camiseta com a imagem da filha, Isabella Nardoni, Ana concedeu nesta domingo, 11, entrevista exclusiva para o Fantástico, da TV Globo. Carregando uma girafa de pelúcia no colo, um dos brinquedos favoritos da filha, a jovem mãe teve que parar de falar em vários momentos da entrevista, lutando com a voz embargada que teimava em surgir quando lembrava de cenas tocantes de sua relação com Isabella. Mesmo abalada, porém, Ana teve discernimento para afirmar que acredita no envolvimento direto do pai e da madrasta de Isabella no crime. E foi além: para a mãe, o ciúme pode ter sido motivo do crime. Ao ser questionada se a madrasta, Anna Carolina Jatobá, tinha ciúmes dela (de Ana), a mãe de Isabella foi categórica: "Ele tinha (ciúme). Por que, eu não sei, porque nunca dei motivo", disse, explicando que foram os próprios membros da família de Alexandre que afirmaram isso para ela. Para Ana Oliveira, a filha poderia ter sido vítima pela sua grande semelhança entre as duas. "A minha imagem era a imagem dela", afirmou.  A mãe de Isabella esclareceu ainda alguns pontos do depoimentos que já tinha concedido para a Polícia. Reafirmou que Alexandre ameaçara ela e sua família de morte, em um incidente quando Isabella tinha 11 meses, por não concordar com a ida da filha para a escola. E explicou ainda sobre as manchas roxas que Isabella às vezes tinha quando chegava da casa do pai, afirmando que eram causadas mesmo por "disputas por brinquedinhos" com Pietro, o meio-irmão de Isabella, de 3 anos. Sobre a recente entrevista do casal concedida também ao Fantástico, a mãe de Isabella foi firme ao dizer que aquilo "não foi convincente". E rebateu as declarações da madrasta, que afirmou na entrevista que Isabella a chamava de mãe. "Nós, eu e Isabella, tínhamos uma relação de cumplicidade, de mãe para filha. Ela tinha uma mãe. A mãe dela existe. A mãe dela está aqui, agora, e ela não tinha outra mãe". Ana também informou que falava muito pouco com Alexandre Nardoni, após a separação do casal. Ela ressaltou o papel preponderante do pai de Alexandre, Antonio Nardoni. "Tudo que eu tinha que resolver, e que envolvia o Alexandre, eu ligava para o pai dele (Antônio)", disse, acrescentando que Alexandre pagava uma pensão de R$ 250 para Isabella. Os momentos mais difíceis da entrevista foram quando Ana lembrou o dia da morte de sua filha. Ela relatou como foi receber a notícia da madrasta, Anna Carolina, pelo telefone. "Ela só gritava, gritava muito. Não dava para entender muita coisa", disse, acrescentando que, quando conseguiu se inteirar do ocorrido, foi rapidamente para o prédio onde Alexandre Nardoni morava. Quando a mãe de Isabella chegou ao local do crime, a filha ainda vivia. "Eu ajoelhei na frente dela...coloquei a mão no peito dela, e disse...'filha, fica calma. Mamãe está aqui e vai dar tudo certo'", lembrou, com a voz muito fraca, e emocionada pelas lágrimas do choro incontido, ao lembrar da filha naquele momento. Na hora, a mãe de Isabella, não percebeu que a filha poderia ter sofrido algum tipo de "esganação" mas notou que "as mãozinhas e o lábio dela estavam roxos". "Eu pensei que fosse de frio. Estava muito frio naquela noite", disse. Já no hospital, após receber a notícia e ver o corpo da filha, agora já falecida, ela percebeu que "a lingüinha de Isabella estava de fora". Para a mãe de Isabella, o mais difícil é tentar descobrir como uma agressão como essa pôde acontecer, com uma criança tão pequena como Isabella. "E difícil conviver com a idéia de saber que uma pessoa tenha a capacidade de chegar a esse nível. Você não consegue imaginar como um pai (...) tenha a capacidade de destratar uma criança assim", afirmou. Ana terminou a entrevista agradecendo o apoio e confiante de que a Justiça seria feita. Ela informou que pretende acompanhar o processo de perto, e já contratou uma advogada para tratar do assunto. "Eu acredito que a Justiça vai ser feita neste País", disse.

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