Cingapuras estão rodeados por favelas

Conjuntos habitacionais foram criados na década de 1990, na gestão Paulo Maluf, justamente para remover favelas de áreas da cidade

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2011 | 00h00

Remover favelas e construir no lugar conjuntos habitacionais para seus moradores. O Projeto Cingapura, maior programa de habitação social da cidade durante a década de 1990 - criado na gestão Paulo Maluf (1993-1996) e que continuou na administração de Celso Pitta (1997-2000) - construiu 17 mil moradias na cidade. Sem acompanhamento das famílias que foram removidas, porém, quase 10 anos depois de encerrado, grande parte dos 49 Cingapuras da cidade está rodeada de favelas.

"Os conjuntos do Projeto Cingapura foram construídos sempre em vias de grande movimento, mais para dar visibilidade do que para solucionar o problema. Podem ser vistos como grandes "outdoors" de uma política de habitação que não funcionou", avalia a arquiteta e urbanista Ermínia Maricato, do Laboratório de Habitação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP).

Durante a gestão Maluf, foram removidas 15 mil pessoas de favelas - quatro vezes mais do que o número de unidades construídas em Cingapuras. "O resultado é que as favelas voltam", disse Ermínia. Entre os pontos visitados pelo Estado, como os Cingapuras da Água Funda, da Imigrantes e de Interlagos, todos na zona sul, é comum encontrar pessoas que foram retiradas das favelas e depois voltaram. "Removeram a favela e depois foram embora, sem acompanhar. Aí o pessoal volta, né?", disse a líder comunitária Angela Antunes, de 48 anos, moradora do Cingapura Imigrantes.

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