Cinegrafista é morto por traficantes durante operação policial no Rio

Profissional da TV Bandeirantes filma o momento do disparo que o atingiu em ação do Bope e do Choque que matou quatro traficantes

DANIELA AMORIM , LUCIANA NUNES LEAL, RIO , O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2011 | 03h02

Atingido no peito por um tiro de fuzil durante tiroteio entre traficantes e policiais militares, o cinegrafista da TV Bandeirantes Gelson Domingos da Silva, de 46 anos, morreu na manhã de ontem, na Favela de Antares, em Santa Cruz, na zona oeste. A Secretaria de Saúde do Estado informou que "foram feitas tentativas de reanimação, sem sucesso". Gelson chegou morto à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro, às 7h40.

Em nota, o Grupo Bandeirantes disse que ele vestia colete à prova de balas, no "modelo permitido pelas Forças Armadas, sempre usado por profissionais da Band em situações como esta". Segundo a PM, a operação, com cem policiais do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), tinha o objetivo de "checar informações da área de Inteligência de que líderes do tráfico fortemente armados se reuniam no local". Um dos PMs que participaram da ação disse que teve dificuldades para socorrer o cinegrafista por causa da intensa troca de tiros, que continuou mesmo após Gelson ser atingido. O cinegrafista teria agonizado 20 minutos antes de ser removido.

No confronto, foram mortos outros quatro homens que, segundo a PM, eram criminosos que reagiram à chegada dos policiais. Eles não tiveram os nomes divulgados. A PM confirmou a prisão de nove pessoas, mas 16 pessoas e um menor chegaram a ser detidos e levados à Divisão de Homicídios, também na zona oeste, encarregada de investigar o caso. Entre os presos estão o gerente do tráfico local, Renato José Soares, o BBC, e seu braço-direito, Leandro Ferreira de Araújo, o China.

Antes de ser atingido, Gelson fez imagens de um grupo de traficantes armados. O material foi levado para a delegacia, mas liberado para que a Band ampliasse as imagens. A polícia quer comparar os rostos na gravação com os dos homens presos e mortos.

Segundo relatos de outros repórteres que participavam da cobertura, em um beco largo, transversal a um valão, eles foram surpreendidos por bandidos escondidos atrás de um poste, do outro lado da rua.

"Estávamos todos do lado direito, protegidos pelo muro, só o cinegrafista e outro policial foram pela esquerda. De repente surgiu o traficante, a 50 metros, atirando na diagonal. Foi quando o Gelson foi atingido", relatou um policial identificado como cabo Almeida, que participou da operação.

A emissora levou ao ar as últimas imagens registradas pelo cinegrafista, que filmou o momento do disparo que o matou. Nas imagens, um PM se aproxima do local de onde criminosos atiravam e o cinegrafista seguia logo atrás. O policial aparece protegido por uma árvore, abaixa-se repentinamente ao mesmo tempo que um tiro atinge a árvore. Logo depois, a câmera tomba quando o cinegrafista é atingido.

O corpo de Gelson será enterrado hoje, às 14h, no Memorial do Carmo, no Caju, zona norte.

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