Cinco viadutos, incluindo Pompeia e Antártica, serão demolidos

A avenida que está sendo projetada para correr onde hoje estão os trilhos do trem representa uma mudança no paradigma que norteou as grandes obras viárias em São Paulo até hoje. Essa é a opinião de especialistas ouvidos pela reportagem. Em vez de planejar a construção de viadutos que diminuam as interferências no tráfego, o projeto prevê destruir os que hoje existem no local e fazer todos os cruzamentos em nível, ou seja, com semáforos.

Eduardo Reina, Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2010 | 00h00

Cinco das passagens sobre a malha ferroviária da CPTM serão demolidas: os Viadutos da Lapa, da Pompeia, Antártica (na Sumaré), do Pacaembu, e da Avenida Rio Branco. Com isso, o tempo de espera por veículo vai aumentar e a velocidade máxima possível, diminuir.

"São Paulo sempre tentou aplicar o conceito das parkways, vias expressas e arborizadas que ficaram famosas nos anos 1950 nos Estados Unidos. Mas isso sempre havia sido feito de maneira insuficiente - o que predominou foi a fluidez do trânsito, e não a qualidade urbanística do entorno", diz Kazuo Nakano, arquiteto do Instituto Pólis. Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) Lúcio Gomes Machado, o princípio geral da obra é inovador para a cidade. "São Paulo precisa de obras estruturais como essa."

Ambos, no entanto, têm críticas ao projeto. Para Nakano, é importante tomar cuidado para que a nova via não vire apenas uma "avenida imobiliária", que serviria mais para os interesses do mercado imobiliário do que para um aprimoramento urbanístico dessa região. Já Machado questiona a falta de discussão antes do lançamento dos editais das operações urbanas, o que deve ocorrer só em um mês. "Uma grande proposta imobiliária não pode ser feita sem solução urbanística."

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