Cinco PMs são presos acusados pela morte de pichadores na Mooca

Vítimas foram mortas dentro de prédio em julho de 2014; na época, os PMs afirmaram que a dupla havia invadido o local para assaltar

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2015 | 10h00

SÃO PAULO - Cinco policiais militares foram presos preventivamente e encaminhados ao presídio militar Romão Gomes, sob acusação de terem participado da morte dos pichadores Alex Della Vecchia Costa, de 32 anos, e Ailton dos Santos, de 33, no final de julho do ano passado. Os policiais também são acusados de terem simulado um confronto com as vítimas e plantado duas armas com numeração raspada no local do crime. 

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na última quarta-feira, 22, os PMs Amilcezar Silva e André de Figueiredo Pereira são acusados de balear e matar Alex Dalla Vechia Costa. Já Ailton dos Santos teria sido morto a tiros por Danilo Keity Matsuoka e Aldison Perez Segalla. O quinto policial, Robson Oliva Costa, foi denunciado por participação nas execuções, mesmo sem ter atirado contra as vítimas.

Os quatro primeiro PMs foram denunciados por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e por terem impossibilitado a defesa da vítima). Eles chegaram a ficar presos em agosto, mas acabaram soltos pela Justiça Militar. Por sua vez, Robson Costa foi denunciado como partícipe nos assassinatos. Os cinco também devem responder por fraude processual.

As vítimas foram mortas dentro de um prédio na Avenida Paes de Barros, na Mooca, zona leste da capital paulista. Na época, os PMs afirmaram que a dupla havia invadido o local para assaltar, e reagiu atirando ao perceberem a chegada dos policiais. Um dos PMs afirmou ter sido baleado no braço.

Já segundo a denúncia do promotor Tomas Busnardo Ramadan, do 1.º Tribunal do Júri, os jovens foram surpreendidos por um zelador do condomínio quando estavam no andar da sala de máquinas, onde pretendiam pichar. Acionados, os policiais conseguiram dominar a dupla. Eles teriam levado os dois até o apartamento do zelador e executado cada um com três tiros no peito.

Depois, os PMs teriam simulado um confronto, em que um dos agentes acabou atingido. De acordo com o MP, no entanto, a perícia apontou que a bala alojada no braço do PM tinha calibre semelhante a das armas usadas pela Polícia Militar e diferente da que os policiais disseram ter sido disparada pelos jovens. As mortes só foram comunicadas pelos policiais cerca de seis horas depois.

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