Cinco PMs são indiciados por morte de servente

Polícia Civil vai pedir prisão preventiva dos envolvidos; um deles aparece em vídeo atirando na vítima

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h02

Cinco policiais militares que participaram da ação que terminou com a morte do servente Paulo Batista do Nascimento, de 25 anos, no sábado, no Campo Limpo, zona sul de São Paulo, foram indiciados ontem por envolvimento no homicídio. Desde a segunda-feira, 14 pessoas já prestaram depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Os policiais registraram o caso como uma resistência seguida de morte (quando o suspeito reage à prisão), mas uma testemunha filmou um dos PMs atirando em Nascimento, quando ele já estava detido, sob suspeita de ter participado de um confronto com a guarnição do 37.º BPM. A testemunha foi ouvida ontem pela polícia. As imagens foram exibidas no Fantástico, da Rede Globo.

Segundo os depoimentos, o primeiro tiro foi disparado pelo soldado Marcelo de Oliveira Silva. Em seguida, Nascimento correu e foi contido pelo tenente Halstons Kay Tin Chen. Enquanto os dois lutavam, Silva se aproximou e disparou novamente contra o suspeito.

Ainda segundo testemunhas, Nascimento foi levado até a viatura e, a caminho do hospital, recebeu mais um tiro. Dessa vez, quem disparou foi o soldado Jailson Pimentel de Almeida, porque o suspeito estaria agitado demais. Foram indiciados também os soldados Diogenes Marcelino de Melo e Francisco Anderson Henrique, que participaram da ocorrência.

De acordo com o diretor do DHPP, Jorge Carrasco, será pedida a prisão preventiva dos policiais envolvidos no caso. "Tudo o que está sendo registrado no inquérito, como as provas, vai culminar com o pedido de prisão preventiva. Não tenho dúvida."

Questionada se a família que mora na casa de onde foi feita a filmagem receberá algum tipo de apoio, a PM disse que conta com um programa de proteção à testemunha.

Histórico. Três soldados que participaram do caso já se envolveram em ocorrências que terminaram com morte de suspeitos. Os casos, porém, foram arquivados pela Justiça.

Melo se envolveu em dois casos de resistência seguida de morte. O primeiro em 1997 e, o segundo, em 17 de março de 2002 - o último virou um processo que chegou à 1.ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. Silva participou de um suposto confronto que terminou com a morte do suspeito em 18 de março de 2010. O caso foi analisado pela 3.ª Vara do Tribunal do Júri. Em 26 de julho de 2009, Almeida se envolveu em ocorrência que se transformou em processo na 3.ª Vara do Tribunal do Júri.

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