Google Street View/Reprodução
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Cinco pessoas são assassinadas em cidade do interior de SP

Com 120 mil habitantes, Catanduva teve seis homicídios durante todo o ano de 2017; polícia acredita que mortes deste fim de semana podem estar relacionadas com tráfico de drogas

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2018 | 10h56

SOROCABA – Cinco pessoas foram assassinadas entre a noite de sábado, 28, e a tarde deste domingo, 29, em Catanduva, na região noroeste do Estado de São Paulo. Quatro dos crimes, cometidos em sequência, podem estar relacionados com disputa entre gangues ou facções pelo tráfico de drogas. Entre as vítimas estão dois adolescentes de 16 anos. A cidade de 120 mil habitantes havia registrado apenas um homicídio de janeiro a março deste ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública. Em todo o ano de 2017, Catanduva teve somente seis homicídios.

De acordo com a Polícia Civil, os quatro assassinatos têm características de execução e podem ter sido cometidos pela mesma pessoa. A suspeita é de disputa por pontos de tráfico de drogas envolvendo facções que atuam na região. Conforme a Polícia Militar, a região é conhecida pelas “biqueiras” - pontos de venda de entorpecentes. A Polícia Civil não divulgou a identidade das vítimas e mais detalhes dos crimes, alegando possível risco à investigação.

Os dois menores foram achados mortos com ferimentos à bala perto de uma praça do bairro Gabriel Hernandes, nas imediações da rodovia Comendador Pedro Monteleone (SP-351). Logo depois, a Polícia Militar foi informada sobre o corpo de um homem de 36 anos, encontrado próximo de uma indústria, no Parque Flamingo, na mesma região. Moradores ouviram os tiros e chamaram os policiais.

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A quarta vítima, um homem com cerca de 30 anos, foi assassinada a tiros quando caminhava próximo do Clube de Rodeio de Catanduva, no Parque Ipiranga. A PM ainda atendia a ocorrência anterior, quando foi avisada do novo caso. Conforme a polícia, entre o primeiro assassinato e o último houve um lapso de menos de duas horas. Os tiros foram disparados de forma certeira, sem dar chance de sobrevivência às vítimas.

Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Catanduva. Na manhã de domingo, 29, familiares das vítimas se encontraram no local para o reconhecimento dos corpos. Uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), incumbida de investigar a chacina, recolheu cápsulas de projéteis nos locais dos crimes e ouvia testemunhas na manhã desta segunda-feira, 30.

Investigação

Conforme a Polícia Civil, as quatro pessoas mortas, incluindo os dois menores, já tiveram passagens ou envolvimento com o tráfico de drogas. A equipe de investigação aguarda o laudo da perícia realizada pela Polícia Científica para confirmar se os tiros partiram da mesma arma – os projéteis são de pistola automática.

O capitão da Polícia Militar Eduardo Seneviva Berardo confirmou a possível relação das mortes com o tráfico. Segundo ele, as vítimas foram mortas num raio inferior a dois quilômetros. “Cabe à investigação apurar as mortes, mas podemos afirmar que os três locais em que aconteceram esses crimes são conhecidos como pontos do tráfico de drogas”, disse.

O quinto homicídio, acontecido na tarde de domingo, 29, no Jardim Soto, não tem relação com os anteriores e já foi esclarecido. Dois homens tiveram um desentendimento e um deles foi assassinado pelo outro, com a ajuda de um colega. Os criminosos usaram barras de ferro para espancar a vítima. O homem foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado para o Hospital Padre Albino, mas não resistiu. Dois suspeitos foram presos e um terceiro ainda é procurado.

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