Cinco perguntas para...

Flavia Ribeiro de Castro

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2011 | 00h00

AUTORA DO LIVRO FLORES DO CÁRCERE, SOBRE A VIDA EM CADEIAS FEMININAS

1. Como é o cotidiano em uma cadeia feminina?

Existe um mau uso do tempo, uma falta de atividade que desestimula a reeducação dessas mulheres. Elas tomam banho de sol, veem TV, lavam roupa e dormem, apenas.

2. Tem muita violência?

Sim, mas as agressões físicas são menores quando comparamos a uma cadeia masculina. Tem rebelião, algumas escondem armas, existe rivalidade entre grupos. Mas, na maioria das vezes, são discussões por motivos bobos.

3. Quais os crimes mais reincidentes entre mulheres?

Mais de 70% delas estão ligadas direta ou indiretamente ao narcotráfico - a maioria por prestar favor a um namorado, pai, amigo.

4. Como é o tratamento dado a elas?

Tão desproporcional que elas têm dificuldade em reconhecer o erro. "Só guardei uma sacola, nem sabia o que tinha dentro." Misturam pessoas perigosas com essas que guardaram um pacote por uma noite. Além disso, 60% das condenadas acabam cumprindo pena em cadeia e nunca vão de fato para presídios.

5.E as condições de infraestrutura?

Precárias. Vi mulheres escovarem os dentes em torneira rente ao chão e grávidas dormindo no cimento. É bem parecido com cadeia masculina.

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