CINCO PERGUNTAS PARA...

Telma Vinha, professora da Unicamp

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2011 | 00h00

A escola não é um cenário aleatório na tragédia que ocorreu ontem no Rio (assim como não foi em outros tiroteios que aconteceram em outros países nos últimos anos): foi um alvo escolhido com cuidado pelo atirador. Esse é o diagnóstico de Telma Vinha, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estuda conflitos interpessoais no ambiente escolar.

1. Por que esses tiroteios acontecem nas escolas?

As informações ainda estão desencontradas, mas o que está claro é que o rapaz poderia ter escolhido um banco ou um supermercado para o ataque. Mas escolheu a escola. E a escola onde estudou.

2.O que essa opção quer dizer?

Ele nos mostra que a escola é um símbolo para ele, tem um significado. Mas é um símbolo de algo que não é bom. Não estamos falando dessa escola em particular, mas do que a escola representa. O ambiente escolar, que deveria ser um lugar onde se tratam os conflitos dos jovens, tem tido um papel contrário, de estimular os conflitos.

3.Como isso acontece?

Temos o bullying, o culto à popularidade, há uma ostentação, um querer aparecer para o outro. E esses são fenômenos globais. A França está tendo problemas seríssimos com os jovens nas escolas, os Estados Unidos também. Seria muita ingenuidade achar que não chegaria aqui.

4.Dá para evitar essas tragédias?

A primeira discussão que vai aparecer é sobre o aumento da segurança nas escolas, com câmeras e grades. Mas a escola não é uma prisão. Ela deve ser um espaço para falar de conflitos, não para contê-los.

5.Esse é um quadro reversível?

Somente quando as escolas forem mais generosas, acolhedoras e não pensarem na ética como um remédio punitivo, mas como uma vacina.

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