Cinco líderes de ocupação do MTST em Carapicuíba são detidos

PM diz que os levou para "averiguação" após registro de furto de água; Sabesp cortou abastecimento no local a pedido de promotora

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 20h23

SÃO PAULO - Cinco líderes de uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) em Carapicuíba, na Grande São Paulo, foram detidos pela na tarde desta quarta-feira, 29. A Polícia Militar informou que levou os militantes para o 1° Distrito Policial da cidade para "averiguação"após registro de furto de água na região. Já os moradores afirmam que os cinco foram levados sem nenhum motivo e que, desde terça-feira, a PM faz revistas e impede a entrada no terreno da ocupação.

Até as 20h, os detidos ainda prestavam depoimento e não haviam sido liberados, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública. O advogado do movimento se encaminhou ao local para acompanhar as oitivas.

"A PM está aqui ostensivamente nos reprimindo. Além disso, moradores das casas aqui ao redor contrataram seguranças privados que também ficam nos coagindo", afirma uma das coordenadoras da ocupação, Agnes Caroline.

O terreno ocupado, que é propriedade particular, fica ao lado de casas de alto padrão no bairro Granja Viana. Moradores dos condomínios ao redor chegaram a construir um muro no fim de setembro para impedir a passagem dos sem-teto, mas ele foi demolido pelo movimento. Nesta terça-feira, 28, o muro voltou a ser erguido - e, na manhã desta quarta, foi derrubado novamente.

Além da presença policial, na tarde desta quarta dois veículos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estiveram no local para cortar a água que estava sendo usada pelos movimento. A companhia informou em nota que atendeu a uma requisição da Promotora de Justiça de Carapicuíba, Sandra Reimberg, para interromper ligação clandestina de água que atendia a ocupação do MTST. Segundo a Sabesp, a ação recebeu apoio da Polícia Militar e não houve conflito.

O movimento estima que existam cerca de 4 mil famílias na ocupação, que foi instituída há um mês e recebeu o nome de "Carlos Marighella" - um dos organizadores da resistência contra o regime militar (1964 - 1985) no Brasil.

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