FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Cinco jovens detidos em protestos no centro são levados à Justiça

Maior de 18 anos terá audiência de custódia na tarde desta quarta; quatro adolescentes foram levados para a Vara da Infância e da Juventude

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2018 | 13h06

SÃO PAULO - Quatro adolescentes detidos na noite dessa terça-feira em protestos no centro de São Paulo ainda estão em poder da polícia e devem ser apresentados à Justiça na tarde desta quarta, 31. Eles podem ser internados na Fundação Casa, ex-Febem, acusados de dano qualificado, incêndio e desacato à autoridade. Um adulto, de 18 anos, preso em flagrante sob as mesmas acusações, passará por audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital.

Um protesto contra o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) saiu do vão livre do Masp, na Avenida Paulista e seguiu para o centro. Na região central, havia também um ato contrário a vídeos de um estudante do Mackenzie que ameaçava "matar a negraiada" em meio a defesas do capitão da reserva.

A Secretaria Estadual da Segurança Pública informou que ainda está apurando o caso e não deu informações sobre as detenções. Defensora dos cinco acusados, a advogada criminalista Maíra Pinheiro, da Rede Feminista de Juristas, afirma que os cinco não participaram dos atos de vandalismo ocorridos ontem e que as acusações contra eles não foram individualizadas. "Há um vídeo na internet que mostra a hora em que os bancos foram depredados ontem. As imagens mostram que, primeiro, a Polícia Militar não estava lá, não havia policiais vendo quem estava depredando. Segundo, que as pessoas que depredaram não são os rapazes que foram presos".

O boletim de ocorrência do caso, iniciado às 4h15 desta quarta, diz que os cinco chegaram à delegacia algemados, diante do "fundado receio de fuga" e do "fundado receio de risco à integridade física própria ou alheia". São dois adolescentes de 16 anos e dois de 17. O maior, de 18 anos, é morador de Diadema, na região Metropolitana.  No documento, os policiais relatam que os cinco "destruíram, mediante grave ameaça, por motivo egoístico e com prejuízo considerável às empresas vítimas, duas agências bancárias". "No desdobramento fatídico, desacataram policiais militares". Os PMs que trouxeram o grupo à delegacia disseram que três dos adolescentes tinham "garrafas contendo conteúdo inflamável em seu interior". Os policiais disseram ainda terem sido desacatados e que os jovens tinham arremessados coquetéis molotov contra os agentes do Estado.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, os manifestantes atiraram pedras contras os policiais enquanto gritavam palavras de ordem acusavam os PMs de serem fascistas.

A advogada Pinheiro afirma que os cinco detidos não foram presos pela PM durante o ataque à agência nem aos PMs. "Eles foram presos depois, na dispersão", afirma. Três deles foram apanhados na Praça Roosevelt, um na Praça da República e o terceiro no Terminal Bandeira, no Vale do Anhangabaú. "Um deles nem estava na manifestação. Estava no terminal", diz. Ela relata que um dos adolescentes está com escoriações no rosto e que outro foi ferido por uma bala de borracha que o atingiu no abdome.

A advogada se queixou de não ter tido acesso aos depoimentos dos policiais, que acusavam os detidos, no momento em que ela acompanhou os depoimentos. Disse ainda que um policial militar a intimidou na delegacia, por ter reconhecido a advogada como pessoa que acompanhou a manifestação contra o presidente eleito.

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