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Cinco dias após temporal, Prefeitura de SP decreta situação de emergência na zona leste

Localidades permanecem alagadas depois de chuva recorde na segunda na capital. Decisão permite contratos emergenciais para obras e serviços

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2020 | 22h21

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo decretou neste sábado, 15, situação de emergência em áreas da zona leste da capital que foram atingidas pelo temporal recorde da segunda-feira, 10. O decreto foi publicado em edição do Diário Oficial da Cidade e leva em consideração manifestação da Defesa Civil, informando que algumas localidades permanecem alagadas, o que representa risco à população. 

Confira a lista das ruas da região englobadas pelo decreto da Prefeitura

Informações apresentadas pelas secretarias de Saúde, de Assistência e Desenvolvimento Social e das Subprefeituras relataram a necessidade de intervenções emergenciais "para salvaguardar os danos decorrentes da permanência do alagamento por um longo período". Com o decreto, detalhou a Prefeitura no documento, os setores competentes devem adotar, de imediato, "as providências destinadas a mitigar os danos humanos nas áreas" apontadas. As providências incluem obras, contratação de serviços e compras necessárias, em caráter emergencial. 

O Estado mostrou que o extremo leste viveu na segunda-feira, 10, mais um dia de uma rotina histórica de enchentes de verão. Diferentemente das áreas mais nobres e centrais da cidade de São Paulo, já limpas e normalizadas, contudo, bairros do extremo leste, como Vila Itaim e Vila Alabama, ainda convivia com água e sujeira dentro de casa e na rua. 

A ineficiência do poder público para resolver a situação tem levado moradores a improvisar soluções, de entrar em galerias para retirar lixo até instalar um sistema de alerta de enchentes, comprado com uma vaquinha de R$ 780 em 2017. 

“Foi um sacrifício comprar, muitas pessoas tinham perdido tudo na última enchente”, lembra o comerciante Francisco Alves da Silva, de 33 anos, fundador da Associação de Moradores da Vila Alabama. O bairro contabiliza quatro enchentes desde 20 de dezembro do ano passado. “Tem moradores de certa idade, com dificuldade para se locomover. Imagina você receber 1,5 metro de água em casa e não poder fazer nada?”

Neste sábado, a Prefeitura informou que a subprefeitura de São Miguel Paulista intensificou os serviços de limpeza de córregos, galeria e boca de lobo na região desde o final do ano passado, "visando a prevenção das enchentes durante o período de chuvas no início do ano". 

A gestão Bruno Covas (PSDB) esclareceu que, para atender às demandas da região da Várzea do Tietê, a Secretaria Municipal de Habitação está com as obras do empreendimento Manuel Bueno em fase de conclusão e a entrega está prevista para maio de 2020.

"O local vai contar com 600 unidades habitacionais. Desses apartamentos, 300 unidades atenderão às famílias removidas de áreas de risco de alagamento, sendo 145 unidades destinadas aquelas removidas para a construção do Polder Itaim. A pasta vem prestando atendimento para milhares de famílias que foram removidas de áreas de risco devido a enchentes na região do Jardim Pantanal, Jardim Lapena, Jardim Damasceno e Comunidade da Tribo", declarou em nota.

Ao todo, segundo a Prefeitura, 2.448 famílias foram removidas e, primeiramente, receberam o auxílio aluguel no valor de R$ 400. "O benefício foi disponibilizado até que todos recebessem o atendimento definitivo sendo contemplados com unidades habitacionais. Deste número, atualmente 1.364 famílias já foram contempladas e hoje vivem em conjuntos habitacionais localizados na zona leste. Outras 1.084 famílias ainda recebem o auxílio aluguel e aguardam atendimento definitivo, o que está previsto para ocorrer em 2020, já que existem diversos empreendimentos do Programa Minha Casa Minha Vida em fase de conclusão para atender esta demanda."

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