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Cinco curiosidades sobre a Penha

Dois personagens notáveis do bairro são a Virgem Maria e Catarina de Albuquerque, que a vida toda viveu na primeira casa de tijolos o bairro

O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2015 | 20h28

Há duas histórias a respeito da origem da Penha de França, na zona leste. Uma das versões fala da misteriosa aventura da imagem da santa (Nossa Senhora da Penha), que tantas vezes teria escapado da bagagem de um viajante para uma colina da Penha e acabou ganhando capela e morada naquele lugar “escolhido” por ela. Veja essa e outras curiosidades históricas sobre o bairro, como o drama romântico de uma moradora, a bela Catarina de Albuquerque, que virou nome de rua.

1. A versão mística da origem do bairro

Dizem que um francês viajava do Rio para São Paulo no século XVII levando consigo uma imagem de Nossa Senhora. Parou para descansar onde hoje fica a Penha e quando seguiu viagem no dia seguinte deu por falta da imagem da santa. Voltou ao lugar em que havia dormido, mas a estátua não estava lá. De alguma forma, ela tinha ido parar numa colina próxima. O viajante voltou para a estrada com o objeto na bagagem, mas a uma certa distância percebeu que ela tinha sumido. De novo. Outra vez encontrou-a na tal colina. Achando que aquele era o desejo da santa, ergueu para ela uma capela e se foi, deixando esse legado – daí o primeiro nome do bairro ser “Penha de França”. 

2. A versão histórica

A Penha era o primeiro pouso em São Paulo para os bandeirantes com destino a Minas Gerais. As terras, no século XVII, pertenciam ao padre jesuíta licenciado Mateus Nunes de Siqueira. Ele criava gado e plantava. A casa grande da fazenda foi erguida em 1650. Ao redor dela surgiram as residências dos colonos e a capela de Nossa Senhora da Penha, que logo ficou pequena para tantos fieis. Famosa por seus milagres, a imagem era sempre levada em procissão para a Sé, como quando houve surtos de varíola na capital.

3. Quem foi Catarina de Albuquerque?

Em 1922, um tenente bonito e jovem foi à Penha para conhecer Catarina de Albuquerque, uma moça linda e “finamente” educada por seus pais. Na soleira da porta da casa, a primeira de tijolos do bairro, apresentou-se dizendo que era parente de alguém da família dela. Entrou, sentou no divã e conversou longamente com a moça, discretamente vigiados pela mãe e o pai, que fingia ler jornal enquanto fumava um cachimbo. Catarina “confessao rapaz que tinha uma extraordinária força mental que lhe permitia divisar ao longe os bons e os maus acontecimentos. O tenente achou muito interessante e disse que também era dotado de certo predicados desse tipo: ‘Mas a sua profissão não permite o desenvolvimento de poderes espirituais. O senhor, que vive das armas e enfrenta os perigos, como pode dialogar com o extraterreno?’ O jovem baixou a cabeça, aceitando a observação da moça”. Dias depois, houve o episódio revolucionário dos 18 do Forte de Copacabana. Pelos jornais, Catarina soube que o tenente havia morrido em combate.

4. D. Pedro II visitou a Penha em 1886

Catarina de Albuquerque tinha 7 anos de idade quando o imperador e sua mulher visitaram Penha de França. A professora da então menina pediu que ela e suas colegas fizessem saquinhos de gaze nos quais guardaram pétalas que seriam jogadas sobre os visitantes quando eles entrassem na igreja. “Mas o fato que marcou mais a visita foi o grande lanche que o coronel Rodovalho mandou preparar e que, afinal, acabou sendo comido pela menina Catarina e suas coleguinhas. É que o imperador não quis comer nada, disse que estava enfastiado e foi-se embora. A mansão do coronel Rodovalho – homem rico que tinha linha de trem até na porte de sua casa – foi aberta e as crianças comeram as comidas que o coronel fez e que o imperador não comeu, para alegria da escolinha.”

5. O “Jardim América” da Penha

Quando visitou a Penha para produzir uma reportagem sobre o bairro, no fim da década de 1960, o jornalista Antonio Alberto Prado escreveu que “nas ruas residenciais predominam os sobrados, em dois estilos que guardam ainda as lembranças das histórias do bairro: na rua padre Benedito Camargo, os sobrados mais antigos, dos primeiros homens ricos do bairro; dos lados da Basílica de Nossa Senhora da Penha, as residências dos filhos dos primeiros ricos, casas modernas. O “Jardim America” da Penha.”

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