Cientistas querem foco na qualidade em avaliações

Líderes da comunidade científica pedem em reunião da SBPC que se mudem os critérios centrados na quantidade

Herton Escobar, enviado especial / Recife, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2013 | 02h07

Lideranças da comunidade científica fizeram ontem uma forte cobrança por mudanças nos critérios de avaliação de pesquisadores e instituições, pedindo que elas sejam mais baseadas em qualidade e menos em quantidade. "Premiar só a quantidade sinaliza na direção errada; desencaminha a juventude e acomoda os (pesquisadores) seniores", disse o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Recife.

"Não produzir nada ou muito pouco é sempre ruim, mas publicar muito não é necessariamente bom", afirmou Oliva.

O número de trabalhos publicados anualmente por cientistas brasileiros cresceu substancialmente nos últimos anos, mas o impacto dessa produção científica - medido pelo número de vezes que esses trabalhos são citados por outros pesquisadores - cresceu muito pouco.

"O fato é que, historicamente, a ciência brasileira tem pouca repercussão no mundo", disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A Argentina, comparativamente, publica menos trabalhos do que o Brasil, mas tem um fator de impacto maior. Mesmo nas grandes universidades do Sul e Sudeste, segundo Brito, a influência da ciência produzida não se compara à das grandes dos EUA e da Europa.

Uma das razões para isso, segundo Oliva, é que a agenda científica dos pesquisadores e instituições brasileiras é fortemente pautada pelas políticas de avaliação das agências de fomento - como CNPq, Fapesp e Capes -, que, por sua vez, ainda são moldadas por critérios quantitativos, apesar dos esforços iniciados recentemente para mudar essa "cultura". "A comunidade ainda trabalha olhando muito para o passado", disse Oliva ao Estado. "É um processo educativo. Precisamos começar a olhar mais para o futuro."

"Precisamos mudar uma mentalidade que nós mesmos criamos", disse a presidente da SBPC, Helena Nader. "Temos de repensar e nos reeducar sobre como avaliar."

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