Ciências Sociais e Engenharia têm baixas posições nos rankings

Segundo o ranking Urap, a melhor instituição brasileira em Engenharia aparece na 91.ª colocação e a mais bem classificada nas Sociais fica em 83.º lugar

Ocimara Balmant e Paulo Saldana - O Estado de S. Paulo,

01 Junho 2013 | 17h02

O Brasil brilha nas Agrárias, mas há áreas do conhecimento em que a performance das universidades anda ofuscada. É o caso das Ciências Sociais - fundadora da universidade no País - e da Engenharia, setor considerado estratégico para a política de desenvolvimento nacional. Segundo o ranking Urap, enquanto a melhor instituição brasileira em Agrárias aparece na 6.ª posição mundial, a primeira menção à Engenharia surge na 91.ª colocação e a mais bem classificada nas Sociais fica em 83.º lugar.

Parte da explicação para essa disparidade, explicam especialistas, se deve ao fato de esses rankings valorizarem a produção científica, atributo pouco usual na formatação de algumas áreas no Brasil. "Por aqui, as Sociais, como Direito e Administração, fazem cursos voltados para a prática profissional, não para a academia. O aluno já estuda com o olhar no mercado e só fará uma pós, normalmente especialização, se isso o ajudar na carreira", afirma Ivanildo Fernandes, pesquisador do Observatório Universitário, que estuda a questão dos rankings internacionais.

Além disso, diz Fernandes, as pesquisas dessas áreas são focadas em temáticas locais, o que não gera artigos e citações em periódicos internacionais - quesitos priorizados pelos rankings. Isso, por enquanto, também explica a situação da Engenharia, diz. A área ainda é estruturada para atender a interesses nacionais, diferentemente da Engenharia na Alemanha, por exemplo, que foca a exportação de engenheiros e tecnologias. Nas Sociais, a mudança de cenário depende de maior integração entre as áreas, defende Gláucia Pastore, da Unicamp. "Se você tiver pesquisas que unam tecnologia e antropologia, é provável que cresça a participação das Humanas em artigos publicados em revistas científicas de renome."

Muito bom. Marco Antonio Zago, pró-reitor de Pesquisa da USP, nega que aparecer atrás nos rankings seja sinônimo de má qualidade. "Há cerca de 10 mil instituições de ensino superior no mundo. Estar entre as 100 ou 200 é muito bom."

Zago ressalta que são raras as universidades que conseguem competir em tantas áreas como a USP. "Quando a gente olha aquelas que aparecem em primeiro, são universidades com média de 17 mil alunos. Temos mais de 90 mil", diz. "A USP tem de melhorar em qualidade, na pesquisa e no ensino, e o gigantismo é um dos desafios claros."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.