Cidades de SP com piores IDHs ficam sem profissionais do Mais Médicos

Dos 71 municípios paulistas com menor índice, 41 se inscreveram e nenhum foi escolhido; primeira fase do programa federal não encaminhou ninguém para as regiões mais pobres do Estado: o Vale da Ribeira, o Sudoeste Paulista e o Pontal de Paranapanema

José Maria Tomazela / SOROCABA, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2013 | 02h07

A distribuição dos primeiros 134 profissionais do Mais Médicos no Estado de São Paulo mostra que o programa federal lançado em julho pela presidente Dilma Rousseff até agora não beneficiou as cidades com piores índices sociais. Os locais com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ficaram de fora na primeira fase, enquanto a maioria entre as 33 cidades contempladas tem altos indicadores de desenvolvimento.

O IDH das cidades é medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), por meio da qualidade de vida, com base em indicadores de saúde, renda e educação. Segundo o Ministério da Saúde, um dos critérios para se enquadrar no programa é que o município tenha 20% ou mais da população vivendo em situação de alta vulnerabilidade social.

O município de Ribeirão Branco, no sudoeste paulista, tem o pior IDHM entre as 645 cidades paulistas, mas não se inscreveu no programa. A segunda pior cidade em indicadores sociais, Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, está na lista das cidades inscritas, mas não foi contemplada. Já a cidade com o maior IDHM de São Paulo e do Brasil, São Caetano do Sul, já foi escolhida para receber dois médicos brasileiros. O município de Santo André, em sétimo lugar no ranking paulista, terá um brasileiro e um estrangeiro.

Ao destinar 55 médicos brasileiros e 82 estrangeiros (entre eles três cubanos) para o Estado de São Paulo, o programa não encaminhou um único profissional para as regiões mais pobres do Estado, o Vale do Ribeira, o Sudoeste Paulista e o Pontal do Paranapanema. No Vale do Ribeira, 13 cidades aderiram ao programa, mas nenhuma foi selecionada na fase inicial.

Fim da lista. Entre os municípios contemplados com médicos, o pior no ranking social estadual é Santo Antônio de Posse, na região de Campinas, em 574.º lugar. Os 71 que estão em situação igual ou pior não foram incluídos, embora 41 desses tenham pedido médicos. A própria Santo Antônio de Posse não havia sido escolhida por nenhum profissional, mas foi selecionada pelo Ministério da Saúde como uma das três cidades paulistas que vão receber um cubano (as outras são Pedreira, na região de Campinas, e Embu-Guaçu, na Grande São Paulo).

Na ponta de cima do IDHM, entre as 50 melhores cidades no ranking, além de São Caetano e Santo André, foram selecionadas a capital, Americana, Campinas, São Bernardo do Campo, Indaiatuba, Barueri, Holambra e Piracicaba.

A situação é ainda pior quando se leva em conta só o IDHM Longevidade, a subdivisão que considera índices relacionados à saúde. Entre os municípios que receberam médicos, os piores neste ranking são Engenheiro Coelho e Francisco Morato, empatados em 510.º lugar. Abaixo ou igual a eles há 134 cidades, 50 das quais pediram e não receberam profissionais.

A maioria das cidades atendidas está na Grande São Paulo ou na região de Campinas, áreas que detêm os maiores indicadores de desenvolvimento econômico do Estado. O município de Itatiba, em 75.º lugar no IDHM paulista, não preenchia os requisitos de pobreza e precariedade social do programa, segundo a prefeitura, mas foi incluída por estar inscrita em outro projeto federal, o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab) e já recebeu um médico. A cidade de 103.037 habitantes tem 88 médicos no serviço municipal. / COLABOROU DANIEL TRIELLI

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