Cidade terá escola para motociclistas

Convênio entre CET e associação de fabricantes será assinado hoje, com previsão para atendimento de até 20 mil usuários por ano

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2012 | 03h04

A capital paulista vai ganhar um centro público para educar motociclistas com capacidade para atender até 20 mil alunos por ano. A Prefeitura e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) assinam hoje um convênio para a construção do centro, que será gerenciado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

O Centro Educacional Paulistano de Motociclistas (Cepam) vai funcionar no terreno do Espaço Vivencial de Trânsito Chico Landi, no Tatuapé, zona leste - local já usado pela Prefeitura para cursos para motoristas. O terreno e o prédio existentes ali serão reformados para abrigar o novo centro educacional.

A proposta divulgada pela CET é ambiciosa: tornar o centro uma referência nacional de educação para quem se locomove sobre duas rodas. Mas os detalhes das aulas teóricas e práticas só devem ser conhecidos hoje.

A CET ainda vai definir que critérios serão usados para selecionar os motociclistas aptos a participar do curso. A única definição é que o programa será gratuito para os alunos.

"O convênio de cooperação que está sendo anunciado entre as duas entidades (CET e Abraciclo) tem um prazo de vigência de 30 meses, contados a partir do dia da sua assinatura, e, dentre outras coisas, estabelece que a Abraciclo seja responsável pela reforma necessária nas dependências do EVT Chico Landi para poder abrigar o CEPAM, custeando e executando benfeitorias como a construção de uma pista de treinamento prático para motocicletas, reforma e modernização do auditório, bem como da edificação existente (telhado, vestiários, sanitários, garagem para guardar motocicletas, salas de aula e salas administrativas)", diz a CET, em nota.

As obras para a reforma do espaço devem ocorrer até o final deste semestre. A previsão da CET é de que o centro educacional receba os primeiros alunos no próximo semestre.

Mortes. Até 2010, a cidade registrou média de um motociclista morto por dia na cidade. Foram 478 casos, um aumento de 11,7% em relação ao ano anterior. Os números referentes ao ano passado ainda não estão fechados. A cidade tem, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito, mais de 928 mil motocicletas - e metade roda irregular, por falta de inspeção.

Mas São Paulo é apenas a 13.ª capital no ranking de mortes por motocicleta no País - a campeã é Boa Vista (RR). As mortes de motociclistas no Brasil seguem ritmo considerado "epidêmico" pelo Ministério da Saúde. Nos últimos dez anos, foram 65 mil motociclistas mortos no País. Especialistas afirmam que o dado se deve à associação de três fatores: o crescimento da frota nos últimos anos, a falta de educação dos motociclistas - seja nas pequenas cidades do interior ou em metrópoles como São Paulo - e a falta de fiscalização adequada dos órgãos públicos.

"Esse centro educacional é uma boa atitude. A educação, tanto teórica quanto prática, é muito importante. Mas o que acho importante é que as aulas procurem alterar o comportamento dos motociclistas. Hoje, eles buzinam e esperam a passagem, como se fossem um veículo de emergência. Moto não é ambulância. A vantagem da moto é a grande mobilidade que ela permite. Mas é preciso separar a mobilidade da mortalidade relacionada à ela", diz o engenheiro especializado em trânsito Horácio Augusto Figueira.

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