Cidade quer usar areia do fundo do mar para alargar praia

Prefeitura paga R$ 400 mil para empresa americana descobrir se é possível ampliar em 60 metros a faixa de areia

, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2011 | 00h00

O prefeito de Balneário Camboriú, Edson Renato Dias, assinou contrato com a empresa americana Coastal Planning & Engineering para execução de um estudo de jazidas de areia que será usado no alargamento da faixa de areia da Praia Central.

Pelo projeto, os 5,7 quilômetros da orla receberão milhares de toneladas de areia retiradas do próprio mar. Dependendo dos estudos, a faixa que atualmente tem 40 metros em média poderá chegar a 100 metros. "É muito cedo para se avaliar, mas se trata de um investimento de cerca de R$ 100 milhões", diz o prefeito. O compromisso inicial da empresa é identificar o melhor tipo de areia. O estudo custará R$ 400 mil.

O chamado aterramento hidráulico só é feito mediante um estudo profundo de impacto no mar, de combinação de material e possibilidade de transporte e extração. Dias já adiantou que a obra de alargamento só será possível se for encontrada areia compatível com a da praia. O relatório da qualidade do material será apresentado nos próximos seis meses e, se o projeto for viável, serão necessários pelo menos dois anos de trabalho para o aumento da faixa. Nos Estados Unidos, a Coastal Planning & Engineering já realizou mais de cem alargamentos.

A proposta da obra é manter a praia com suas características, sem alteração da biodiversidade. Para tanto, será preciso encontrar areia com a mesma granulometria, que possibilite balneabilidade, ondas e inclinação, caso contrário a praia continuará como está. Um esboço de projeto urbanístico da Avenida Atlântica já está em andamento. Ele vai contemplar o mobiliário urbano, com alterações na calçada, o remanejamento dos quiosques, a inversão da via e a criação de uma nova ciclovia.

Planejamento. Se por um lado o crescimento do ramo imobiliário é favorável à economia, por outro preocupa. Auri Pavoni, secretário de Planejamento, defende uma legislação que coíba a agressividade dos empreendimentos, levando-se em consideração o impacto ambiental.

O planejamento turístico e a antiga legislação não previram esse impacto, bem como não respeitaram uma distância média entre as edificações, a avenida, o calçadão e a praia. Água, sistema viário, vagas de estacionamento e saneamento básico estão na lista de prioridades para a manutenção do padrão turístico a que a cidade se propõe.

A referência é o crescente número de turistas que opta pela cidade nas férias de verão. Em janeiro, Balneário Camboriú recebeu 900 mil turistas. A demanda influi especialmente no saneamento básico. Embora o prefeito considere que o município tem 100% de redes de esgoto, o serviço é multiplicado em temporadas e fins de semana prolongados. Com isso, o despejo de fossas e esgotos incide na contaminação de trechos de praia.

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