Cidade não tem política pública para imóveis históricos

Cenário: Rodrigo Brancatelli

O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 03h05

Em todo o mundo, há exemplos de áreas degradadas de antigos galpões industriais que foram restaurados e revitalizados com apoio do poder público, como Puerto Madero, em Buenos Aires, na Argentina, e Pul 5, em Zurique, na Suíça. Esse locais ganharam museus, restaurantes, livrarias... Já em São Paulo nunca houve política pública para dar destinação adequada a imóveis históricos. Poucos foram os exemplos de recuperação, como a Casa das Caldeiras, o Palácio das Indústrias ou o Memorial do Imigrante. O resultado natural foi a degradação.

"Essa política pública deveria ter sido formulada há mais de 20 anos, para dar um fim adequado aos imóveis históricos da cidade", diz o pesquisador e fotógrafo Douglas Nascimento, autor do blog São Paulo Antiga (www.saopauloantiga.com.br) e integrante do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. "Hoje só sobraram ruínas. Por isso, a única destinação em que pensam é fazer prédios, demolir o que sobrou para construir espigões residenciais ou comerciais. Por mais triste que possa parecer, temos de encarar a realidade: os galpões da Mooca são um exemplo disso. Nossa política de patrimônio está muito atrasada, há décadas infelizmente."

A presença de marcos históricos importantes na capital, como os grandes galpões do início da industrialização, acaba virando não solução, mas interferência no mercado imobiliário. Na Mooca, dos quase 150 mil m² que poderiam dar lugar a espigões residenciais na região, mais de 100 mil m² estão comprometidos por processos de tombamento. Muitos dos endereços congelados contam a história do passado fabril do bairro, marcado pela presença de empreendedores italianos. As Indústrias Matarazzo foram um desses grandes símbolos da memória da Mooca - no auge, nos anos 1950, a empresa empregava 30 mil pessoas em quase 100 empresas nos setores metalúrgico, químico, têxtil, de alimentos, limpeza, embalagens e materiais de construção. Hoje, sobraram apenas os tijolos.

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