Cidade ganha estação de lixo sem cheiro

Usado como ponto intermediário entre a coleta e os aterros, local é o primeiro em São Paulo a utilizar um sistema de pressão negativa

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2012 | 03h03

Seis toneladas de lixo passam por dia pela Estação de Transbordo Ponte Pequena, no Bom Retiro, na região central de São Paulo. Mas quem passa na frente ao terreno não sente nenhum odor. Usado como ponto intermediário entre o que é recolhido e os aterros, o local é o primeiro na cidade com um sistema de pressão negativa, que impede que o mau cheiro se propague.

A estação gerida pela Logística Ambiental São Paulo (Loga) passou por uma reforma R$ 32 milhões e funciona desde março, mas foi inaugurada oficialmente ontem, com a presença do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Por dia, o espaço recebe 550 viagens de caminhões - lixo produzido por cerca de 7 milhões de pessoas.

O presidente da Loga, Luiz Gonzaga Alves Pereira, explica a tecnologia de exaustores que elimina o odor. "Você injeta dez vezes a cada hora ar limpo para dentro da estação. Ao sair, ele é tratado por uma bateria de filtros", afirmou.

A qualidade do ar é medida por um "nariz eletrônico". "Por ali, você controla se o odor está dentro do permitido ou se não está", explicou Pereira.

Todo o material descartado pela população vai para um fosso de 4 mil metros cúbicos. Para não cair dentro da abertura, os funcionários trabalham amarrados a cabos de aço. No galpão, os resíduos são recolhidos por escavadeiras e transferidos para carretas, responsáveis por fazerem o transporte para o aterro sanitário. A operação acontece 24 horas por dia.

A tecnologia de telhas antiacústicas também impede que o barulho das escavadeiras se propague para fora do galpão. E os líquidos gerados pelos resíduos são contidos por um piso especial, que os conduz para uma estação de tratamento, evitando dessa maneira a contaminação do solo.

História. A área de 19.460 metros quadrados no Bom Retiro passou em 1959 a ser usada para incinerar lixo, uma alternativa altamente poluente. Só em 1997 o incinerador com capacidade para 150 toneladas por dia foi aposentado.

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