Cidade do interior de SP vive dia de tumulto após assassinato de criança

Menina de seis anos foi morta com uma facada e moradores tentaram atacar suspeito; delegacia e viaturas foram depredadas

Chico Siqueira, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2015 | 20h24

ARAÇATUBA - Na tentativa de linchar o suspeito de ter matado a menina Ana Gabrielle Santos Ferreira, de seis anos, dezenas de moradores de Conchal, a 170 quilômetros de São Paulo, se revoltaram no final da tarde desta sexta-feira, 21, e depredaram viaturas policiais, o prédio da delegacia e de uma unidade de saúde.

Sem conseguir invadir a delegacia para resgatar o suspeito, Marcelo Petroni, 31 anos, os vândalos saíram em grupos e saquearam lojas comerciais, incendiaram dois ônibus e destruíram bancos de praça, semáforos e placas de sinalização. Os tumultos só terminaram na madrugada deste sábado com a chegada de reforços de 300 homens da PMs e da Guarda Municipal de cidades vizinhas.

Segundo a polícia, Petroni confessou ter matado a menina no sábado, 15. Ele era vizinho do andar de baixo da tia da garota, que mora no condomínio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), onde Ana Gabrielle passava o dia. A versão oficial é de que a menina teria descido para a procurar a tia e uma prima e parou no apartamento de Petroni, que a puxou para dentro e depois matou com uma facada na garganta quando ela ameaçou gritar. De acordo com a Polícia Civil, o suspeito também disse que não abusou da menina e que praticou o crime por estar sob efeito de drogas e bebidas alcoólicas.

Com o sumiço, fotos foram publicados nas redes sociais e cartazes foram espalhados pela cidade. Depois de buscas feitas dias antes no local, o corpo da menina foi encontrado na quinta-feira, 20, em um terreno próximo do condomínio. A polícia chegou a Petroni depois que vizinhos denunciaram o forte mau-cheiro em seu apartamento. Detido, ele relatou que guardou o corpo da menina em um saco sob sua cama e após as buscas, o jogou no terreno baldio próximo ao conjunto. 

Revoltados, moradores tentaram invadir o apartamento do suspeito, que foi preso e levado para a Cadeia Pública de Araras, mas não ficou lá por muito tempo porque moradores da cidade também tentaram invadir a cadeia. Na noite de sexta-feira, 21, a Polícia Civil o transferiu para a Penitenciária de Itirapina sob mandado de prisão temporária expedido pela Justiça.

O corpo foi enterrado neste sábado, no cemitério de Conchal. A polícia também vai ouvir testemunhas que estariam no apartamento de Petroni no dia do crime. Dezenas de policiais ainda continuavam neste sábado em Conchal para evitar a ocorrência de novos tumultos. Uma pessoa foi presa por praticar atos de vandalismo.


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