EPITACIO PESSOA/ESTADAO
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Cidade de SP sem delegado encaminha ocorrência para município vizinho

Delegada responsável por Alumínio está lotada em São Roque, mas atende também Mairinque

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

02 Março 2017 | 03h00

SOROCABA - O caminhoneiro Richard Alexandre da Costa, de 40 anos, teve de esperar 12 dias pelo registro de uma ocorrência de lesão corporal e danos em que figura como testemunha, em Alumínio, interior de São Paulo. O fato, um desentendimento em um pátio de caminhoneiros, aconteceu na noite do dia 10 de fevereiro e só no dia 22, ele conseguiu a cópia do boletim. "Procurei semana passada e segunda-feira, mas disseram que o documento não tinha ficado pronto", disse. A cidade não tem delegado e a delegacia da Polícia Civil, que conta com escrivão e investigador, só funciona em horário comercial - das 8 às 18 horas - e não abre nos fins de semana.

A delegada responsável por Alumínio, Fernanda Ueda, está lotada em São Roque, mas atende também Mairinque, cidade vizinha. Nesta quarta, quando a reportagem esteve na delegacia, duas pessoas esperavam para retirar documentos. Além do escrivão, estavam no local duas funcionárias administrativas. O investigador tinha saído com a única viatura.

Na base da Polícia Militar, havia dois policiais, mas eles não tinham autorização para informar o efetivo. O policial que se identificou apenas como PM Bacovsky informou que as ocorrências da noite e fins de semana são encaminhadas para o plantão da Polícia Civil em Mairinque. Ao menos uma viatura é deslocada para esse atendimento, deixando o policiamento desfalcado. 

Moradores dizem que a cidade, de 16,8 mil habitantes, é pacata. "Moro aqui desde 1965, criei meus dez filhos e nunca tive um caso de violência. Se me derem uma casa com água e luz pagas em outra cidade, vou dizer muito obrigado. Prefiro ficar em Alumínio", disse dona Maria Judite de Jesus, de 75 anos. "Aqui você dorme com a porta aberta, anda sozinha, faz compras, viaja e não acontece nada. Nunca me tomaram uma moeda."

O comerciante Elias Bressane, de 64 anos, não teve a mesma sorte. Sua lanchonete na Vila Pedágio, à beira da rodovia Raposo Tavares, foi furtada duas vezes, a última há cinco meses. "Quebraram a janela para levar alguns maços de cigarro e 30 reais. O prejuízo maior foi o estrago do arrombamento", disse. Segundo ele, o ladrão foi preso. No assalto anterior, os invasores também levaram cigarros e bebidas. "Quando mudei para cá há dez anos, era mais calmo. Morava na zona leste de São Paulo e lá nunca fui assaltado."

Conforme dados da Secretaria da Segurança Pública, a cidade registrou 146 ocorrências em 2016, entre elas um homicídio doloso, 52 lesões dolosas, seis estupros, 13 furtos de veículos, 17 roubos e 132 furtos. Em 2015, um bando armado invadiu a cidade e explodiu caixas automáticos da Caixa Federal. Uma parte da quadrilha foi presa no mesmo dia. Em dezembro de 2014, em ataque semelhante, um policial militar foi baleado. A prefeitura e a Câmara pediram "de forma reiterada" reforço no policiamento.

Outras duas das 18 cidades vinculadas à Delegacia Seccional da Polícia Civil de Sorocaba, Tapiraí e Jumirim, também não têm delegados fixos. A assessoria de comunicação da Seccional informou que espera a designação de delegados para essas delegacias a partir de abril, quando novas turmas se formam na Academia da Polícia Civil. Enquanto isso, conforme a seccional, essas localidades serão atendidas pelos delegados de municípios mais próximos.

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