Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Cidade de Deus terá 1ª moeda social do Rio

A partir do mês que vem, moradores poderão trocar reais pela CDD. Uso do dinheiro local dará descontos de até 5%

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2011 | 00h00

No próximo mês, o real perderá valor na Cidade de Deus, zona oeste do Rio. A favela, pacificada desde fevereiro de 2009, terá uma nova moeda, a CDD, que garantirá descontos de até 5% no comércio e prestadores de serviço locais. Será a primeira vez que um banco social chega à cidade.

"A ideia é fazer com que a riqueza produzida naquela região possa circular no próprio território. Para o consumidor, o desconto é uma motivação. Para o comerciante, ele vai aumentar as vendas, fidelizar o cliente, e ganhar na escala", diz o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Solitário, Marcelo Henrique da Costa.

A agência comunitária da Cidade de Deus, prevista para ser inaugurada dia 15, integrará uma rede de 52 bancos sociais espalhados pelo País. Começará com caixa de R$ 30 mil, verba liberada a fundo perdido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Inicialmente, os moradores poderão trocar seus reais por CDD - para poder fazer compras com descontos - e pegar empréstimos com valor equivalente a R$ 100, para pagamento em até três vezes sem juros. Se o empréstimo for em reais, haverá cobrança de juros.

O secretário explica que o sistema de "proteção ao crédito" será inspirado no exemplo da cidade de Silva Jardim, a 130 quilômetros da capital, que batizou sua moeda social de capivari. Lá, os vizinhos são consultados para saber se o morador tem como arcar com as parcelas. Quem não paga a dívida pode ter o nome anunciado por um carro de som - ele concorda com o sistema de cobrança ao assinar o contrato.

Nos dez meses em que o capivari circula por Silva Jardim, a inadimplência é zero. "Mudamos a dinâmica da cidade. Meu pai tinha banca e a gente via que mesmo jornais e revistas, que têm preço de capa, o morador de Silva Jardim comprava no município vizinho. Isso mudou. E já damos empréstimos para o pequeno empreendedor", disse o prefeito Marcelo Zelão, que recebe hoje o prêmio Boas Práticas de Gestão Pública, no Congresso Fluminense de Municípios. A cidade é a primeira do Estado a ter o banco social. O limite de empréstimo é de R$ 800.

Falsificação. O secretário Marcelo Henrique da Costa afirma que as notas emitidas para a Cidade de Deus terão seis marcas que garantem a autenticidade das moedas. Por segurança, as imagens não foram divulgadas.

Outras favelas pacificadas terão bancos sociais. Segundo Costa, moradores do Complexo do Alemão já estão se organizando para ter a própria moeda. A Mangueira também tem interesse. "O banco comunitário não é elixir para todos os problemas. É preciso ter uma economia local forte", diz o secretário.

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