Cidadão cria site para população checar gastos de gabinete

Objetivo do programador que criou a página cmsp.topical.com.br é driblar a dificuldade de encontrar informações da Câmara

, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

Cansado da burocrática prestação de contas do site da Câmara Municipal de São Paulo, o programador Maurício Maia, de 26 anos, tomou uma decisão: criou seu próprio site para organizar as notas fiscais dos gabinetes paulistanos. A página entrou no ar ontem e apresenta os gastos de gabinete dos parlamentares de uma maneira bem mais didática e acessível que a oficial.

A novidade do site cmsp.topical.com.br é que todos os dados são tabulados por vereador, partido, tipo de gasto e fornecedor. E essas informações são apresentadas de forma interligada. Isso significa que, em poucos cliques, é possível saber quanto cada vereador gastou num determinado escritório de advocacia, quem foi o campeão de gastos com correio ou qual foi a maior nota apresentada a determinada gráfica em 2009, por exemplo.

Maurício explica que o objetivo do portal é ser uma "prova de conceito", ou seja, mostrar como a prestação de contas pode ser mais acessível. "O mecanismo pega os dados diretamente do site da Câmara (www.camara.sp.gov.br) e organiza de maneira mais simples. Estamos "hackeando" a política brasileira."

Segundo Cláudio Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, a iniciativa é louvável pois a qualidade da informação nas casas legislativas brasileiras deixa a desejar. "Quanto melhor a qualidade desse tipo de informação estatística, melhor se tem condições de compreender esses gastos e o desempenho dos parlamentares."

Vereadores. Para o presidente da Câmara Municipal, o vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR), a prestação de contas da Casa é feita conforme o padrão do Legislativo, mas cada cidadão "pode buscar as informações e apresentá-las da maneira que considerar melhor".

Atualmente, cada vereador paulistano tem direito a R$ 14,8 mil mensais para despesas de manutenção de gabinete. A verba foi criada em 2007, mas os dados só foram detalhados na internet a partir de abril de 2009. / R. B.

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