Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Ciclovia do Minhocão estreia já com reparo

Barras de ferro foram instaladas para proteger pedestres de ciclistas; pista fica no canteiro central da São João e Amaral Gurgel

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2015 | 21h53

SÃO PAULO - A Prefeitura abre neste domingo, 8, a ciclovia de 4,1 quilômetros da Avenida São João e Rua Amaral Gurgel, no canteiro central sob o Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Agora tratado como faixa de bicicletas, o espaço sempre foi usado por quem caminha entre as paradas do corredor de ônibus. O desafio da gestão Fernando Haddad (PT) é harmonizar a relação entre os mais desprotegidos na mobilidade: os pedestres diante dos ciclistas.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) instalou barras de ferro de proteção atrás dos pontos de ônibus para melhorar a convivência entre os dois tipos de frequentadores do espaço. As barras são prateadas e ficam atrás dos pontos, criando uma barreira física para a proteção dos pedestres.

Parte dos pedestres que usam os pontos de ônibus embaixo do elevado, entretanto, ainda dá sinais de reprovação diante da velocidade dos novos companheiros de espaço. "Dizem que são ciclistas, mas já se comportam como os piores motoristas de São Paulo", afirmou a auditora Célia Andrade do Nascimento, de 54 anos. 

Ciclistas já usavam as pistas vermelhas antes mesmo da inauguração, conforme o Estado mostrou. Desacostumados com as bikes nos canteiros centrais, os pedestres temem atropelamentos, principalmente aqueles que já se feriram após levar uma pancada de ciclista. 

A balconista Ana Maria Valadão Marques, de 43 anos, foi atingida por uma bicicleta há um ano. A força do impacto jogou a pedestre no asfalto da Avenida São João. "Eu lembro que a bicicleta surgiu na minha frente e eu desmaiei. Depois ouvi as pessoas preocupadas em me tirar do meio da rua, para eu não ser atropelada por um carro", disse. Ela quebrou dois dentes.

A CET vai manter equipes para distribuir panfletos educativos na região, ação semelhante à que foi feita após a inauguração da ciclovia da Avenida Paulista, no dia 28 de junho.

Ciclistas. Os ciclistas que já usam a ciclovia sob o Minhocão gostam da pista, mas têm opiniões distintas sobre o conflito. O vendedor Julio Carlos Pacheco, de 35 anos, acredita que todos vão ajustar-se e disse que vai ser "mais perigoso um carro atropelar um pedestre" do que a colisão com um ciclista. 

Para o porteiro Antonio Paulo da Silva Filho, de 41 anos, os pontos cegos das vigas que o impossibilitam de ver as paradas de ônibus podem ser um problema. "Como eu sei que tem gente esperando o ônibus do outro lado, eu praticamente paro a bicicleta para olhar", disse.

 

O cicloativista Willian Cruz, do site Vá de Bike, disse acreditar "que é questão de tempo" até todos se adaptarem. "O pedestre teve de ceder espaço e para ele fica mais difícil a adaptação. Ele vai ter de compartilhar o espaço com um elemento que não estava lá antes. Risco mesmo são os carros na avenida."/ COLABOROU BRUNO RIBEIRO

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