Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Ciclovia da região central de SP vira motofaixa no rush

Em duas horas, 'Estado' flagrou 43 bikes, 158 motocicletas, 16 carros e um Veículo Urbano de Carga na via da Avenida São João

Bruno Ribeiro e Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2014 | 03h00

SÃO PAULO - A ciclovia já instalada no centro da capital se transformou em uma “motofaixa” no horário de pico. Motoqueiros invadiram a faixa separada pela gestão Fernando Haddad (PT) para as bicicletas, trafegando em alta velocidade e até no que seria a “contramão” dos ciclistas. 

O Estado passou parte do horário de pico desta terça-feira, 12, das 17 às 19 horas, contando quantas bicicletas já estariam usando a nova via exclusiva. O local escolhido foi a Avenida São João, no trecho entre a Rua General Osório e a Avenida Duque de Caxias. Nessas duas horas, passaram 43 bicicletas. 

 

Entretanto, no mesmo local e período, passaram 158 motos, além de 16 carros, oito cavalos (da Cavalaria da Polícia Militar) e até um Veículo Urbano de Carga (VUC), os minicaminhões autorizados a rodar nas vias do centro. 

Ao invadir a ciclovia, que fica à direita na São João, os motociclistas, na maioria, optam por trafegar na parte à esquerda da via segregada. É justamente o sentido oposto, usado por bicicletas que vêm da Avenida Duque de Caxias em direção ao centro. Em dado momento, na tarde desta terça, ciclista e motoqueiro brecaram um de frente para o outro, quase provocando um acidente.

O presidente do sindicato dos Motoboys de São Paulo (SindimotoSP), Gilberto Almeida do Santos, o Gill, não repreende o posicionamento da categoria. “O trânsito é como o fluxo da água. Flui pelos espaços em que dá. Aquela ciclovia é um espaço que ninguém usa”, afirma. 

Gil diz que a ciclovia foi a gota d’água para uma série de desentendimentos entre motoboys e a Prefeitura. “Eles desativaram as duas motofaixas da cidade (nas Avenidas Vergueiro, no centro, e Sumaré, na zona oeste) e, com a ciclovia, tiraram as vagas de estacionamento para motos no centro, na Líbero Badaró. Antes, já demorava uma hora para você parar sua moto no centro. Agora, está levando duas”, diz. Por isso, os motoboys de São Paulo marcaram um protesto na cidade para o próximo dia 26, quando devem seguir da sede do sindicato, próximo à Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, até a Prefeitura. 

 

Vantagens. Já o cicloativista William Cruz, do site Vá de Bike, vê o posicionamento dos motoboys em relação à ciclovia como algo perigoso, por causa dos riscos de acidentes. “Agora, com pouca gente usando a ciclovia, ainda não é tanto. Mas depois vai ficar.” Ele diz acreditar, no entanto, que, à medida que mais ciclistas passem a ocupar a ciclovia, os motoqueiros se afastarão naturalmente.

Cruz lembra ainda que, embora o número de motoqueiros apurado na ciclovia tenha sido muito maior do que o de ciclistas, o número de ciclistas é considerável. “Eu achei que seria menor”, diz.

O cicloativista cita uma contagem de bicicletas feita pela Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), em setembro de 2013, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul da cidade. Ali, a média verificada foi de dois ciclistas na via por minuto. Na São João, foi quase um ciclista a cada dois minutos e meio. 

“Se você levar em conta que a ciclovia da Faria Lima (em canteiro central) é mais antiga do que a do centro, que ainda está sendo feita, é um resultado bastante positivo”, afirma.

Para o cicloativista, com o aumento dos balizadores – pequenos postes instalados na ciclovia –, o número de motoqueiros na área exclusiva também deverá cair. “O projeto previa um a cada 15 metros. Sei que eles estão instalados, agora, só nas esquinas, mas ainda vão aumentar”, afirma Cruz. 

Soluções. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) diz em nota que “vai intensificar” a fiscalização na ciclovia e que, de janeiro a junho deste ano, já foram aplicadas 10.263 multas por desrespeito às regras para ciclistas. O texto diz que as mudanças precisam ser assimiladas pelos motoristas.

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