Ciclofaixa lota em quase metade dos cruzamentos

É o que mostra estudo da CET feito na primeira via de lazer aberta para ciclistas nos domingos e feriados na cidade

O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2013 | 02h02

Quase metade dos cruzamentos da primeira ciclofaixa de lazer da cidade, a que liga os Parques do Ibirapuera, do Povo e das Bicicletas, é tão popular que compromete o conforto dos usuários. É o que aponta um estudo de técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) publicado no fim do ano passado.

Por outro lado, a outra metade dos cruzamentos é ociosa: quem circula não precisa reduzir a velocidade por causa do trânsito das outras bicicletas e a única obstrução ao tráfego são os cruzamentos onde há semáforo.

Técnicos da companhia fizeram uma contagem do fluxo de bicicletas no primeiro trecho da ciclofaixa antes que o projeto fosse ampliado para outras três regiões da cidade. O texto foi publicado há duas semanas no site da CET. O objetivo era ver como era o nível de conforto para os usuários e, se fosse o caso, propor mudanças.

A sinalização das faixas e os agentes que orientam o trânsito são responsabilidade de uma seguradora que mantém parceria com a Prefeitura para viabilizar o projeto. A análise da CET é de que esses quesitos são bem atendidos.

A primeira ciclofaixa tem 30 cruzamentos com outras vias. Seis deles ficam em corredores arteriais da cidade, 41,6% tendem à saturação e 58,4% tendem à ociosidade, de acordo com o levantamento.

O nível saturado não é desejado, segundo o estudo, porque "os ciclistas normalmente não toleram situações de fluxo excessivo e selecionam outras rotas ou ignoram os sinais de tráfego para evitar atrasos", o que pode resultar em acidentes.

Conforto. No caso do cruzamento da Avenida Presidente Juscelino Kubitschek com a Rua Henrique Chamma, na Vila Olímpia, zona sul, por exemplo, a análise dos técnicos da CET mostrou um fluxo instável de bicicletas, com paradas no tráfego e manobras difíceis. O maior fluxo ali é entre 11h15 e 12h15, com 769 ciclistas passando por hora, segundo contagem dos técnicos. O estudo aponta falta de conforto para o ciclista no local.

O arquiteto Camilo Kolomi, de 31 anos, usa a ciclofaixa todo domingo para levar a filha Joana, de 3 anos, aos Parques Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital, e do Povo, na Vila Olímpia, zona sul.

Ele conta que nas proximidades das duas áreas verdes a quantidade de bicicletas é bem maior do que em outros trechos da ciclofaixa. "A confluência de bicicletas por aqui é muito grande. Os parques concentram as pessoas", explica.

Já entre a Avenida República do Líbano com a Avenida Ibirapuera, o estudo apontou um "nível de conforto alto": pouca restrição para manobras e condições estáveis de fluxo, com possibilidade de manter constante a velocidade das pedaladas. Segundo Dover de Freitas, que trabalha como sinalizador no cruzamento, o fluxo é pouco intenso até as 10h. "Hoje (ontem), não passaram nem dez ciclistas entre 7h e 8h", contou.

Perigos. Para quem usa as ciclofaixas, porém, condições boas para pedalar com mais liberdade não são o único critério na escolha do uso da ciclofaixa. O dentista Alessandro Bontempo, de 42 anos, evita, por exemplo, a Avenida Lineu de Paula Machado, que fica atrás do Jockey Club. "É muito deserto, a paisagem é feia e um pouco perigosa", afirma.

O relatório da CET aponta também alguns problemas: "desrespeito por parte de veículos ao executar conversões proibidas e desrespeito à sinalização por parte dos ciclistas ao avançar o semáforo vermelho", segundo o texto. Depois da contagem, parte do traçado, que incluiu a Avenida Brigadeiro Faria Lima, foi alterado por causa da ciclovia que foi construída ali. / JULIANA DEODORO e B.R.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.