Ciclofaixa chega à Luz e ainda tem problemas

Via de 5 km não permite ultrapassagem e em alguns trechos não há mão dupla; Kassab anuncia (para Haddad) projeto de ligar Parque Tiquatira à Radial

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h02

A ciclofaixa de lazer chegou ontem à região da Estação da Luz, no centro de São Paulo, passando por avenidas como Cásper Libero e Duque de Caxias e também pelo Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Na próxima semana, será a vez da Rua Vergueiro e das Avenidas Domingos de Morais, Jabaquara e Indianópolis ligarem o trecho da Avenida Paulista ao Parque das Bicicletas, na zona sul.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) anunciou ontem que deixará para seu sucessor, Fernando Haddad (PT), um projeto de integração da Ciclofaixa do Parque Tiquatira, na Penha, com a Ciclovia da Radial Leste, ampliando as opções para os ciclistas daquela região. "Também vamos sugerir que, pelo menos uma vez por ano, a ciclofaixa seja instalada em um dia útil", disse.

Com a ampliação de ontem, a cidade tem agora 46 quilômetros de ciclofaixas de lazer nos domingos e feriados.

O novo trecho de 5 km na região central teve a aprovação dos ciclistas. "É um lugar lindo. Trabalho por aqui durante a semana e moro no Tucuruvi (zona norte). Precisa integrar também com a ciclofaixa da zona norte", disse o analista de projeto Sérgio de Almeida Rios, de 54 anos.

A presença das bicicletas mudou a cara da região central. "Foi uma iniciativa muito boa. Circulando pela ciclofaixa, dá para ver que trouxe para cá muita gente que não frequentava essa região. Era um lugar que vivia vazio aos domingos", afirmou a bancária Miriam Favareto, de 47 anos. "Remete um pouco à Virada Cultural, que também trouxe as pessoas para o centro", disse o publicitário José Batista, de 51 anos.

Avaliação. Mesmo bastante elogiada, a ciclofaixa que corta a região central tem problemas - que podem ser facilmente resolvidos pelos organizadores.

Não há mão dupla em boa parte dos trechos, como ao redor da Estação da Luz e na Avenida Duque de Caxias, por exemplo. Quem quiser voltar na metade do caminho, por cansaço ou necessidade, é obrigado a pedalar em meio ao trânsito, o que deve provocar desconforto em ciclistas iniciantes.

No trecho em que atravessa os calçadões do centro, a faixa é muito estreita, o que dificulta as manobras de ultrapassagem. A largura é insuficiente para acomodar duas bicicletas ao mesmo tempo com segurança - resta ao ciclista sair da demarcação para seguir em frente.

O piso dos calçadões tem pouca aderência, um problema que tende a se agravar em dias de garoa ou depois da chuva.

É importante que os orientadores alertem os ciclistas sobre a maneira correta de frear e fazer curvas nessas circunstâncias, para evitar acidentes. Também é preciso cuidado com tampões de aço que encobrem buracos em locais como a Praça do Patriarca - as bordas podem danificar câmaras de ar e pneus das bicicletas.

Cracolândia. O colorido das bicicletas e dos capacetes, porém, não escondem um drama que vai muito além da inclusão das duas rodas no trânsito caótico da capital. Quem "escapa" da rota predeterminada pela Prefeitura cruza com outro fluxo, o dos usuários de crack.

Ontem, no horário do almoço, cem deles estavam amontoados na Rua do Triunfo, a 200 metros da Estação da Luz, na cracolândia.

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