Ciclistas vão fazer dois atos em protesto à morte no trânsito

Homenagem acontece a partir das 18h; "pedalada" está programada para às 20h da sexta, na Praça do Ciclista

Da Redação,

15 Janeiro 2009 | 12h33

Ciclistas de São Paulo programam dois atos em homenagem a Márcia Regina de Andrade Prado, de 40 anos, atropelada no fim da manhã da quarta-feira, 14, na Avenida Paulista. Nesta quinta-feira, 15, os ciclistas vão se encontrar a partir das 18 horas na Praça do Ciclista, que fica no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação. Na sexta, está programada uma "pedalada" em homenagem a Márcia. A concentração começa às 18 horas e a pedalada a partir das 20 horas, também na Praça do Ciclista.   Veja também: Após morte de ciclista, movimento faz ato na Avenida Paulista  Opine: É seguro andar de bicicleta em São Paulo?  Dossiê Estado: os números da violência no trânsito em SP     Foto: Sérgio Neves/AE Amigos e participantes da 'Bicicletada' fazem homenagem a Márcia na Av. Paulista na noite de quarta   Nesta quinta, a família de Márcia recebeu a autorização da juiza-corregedora do Departamento de Inquértios Policiais e Polícia Judiciária (Dipo) Luciana Leal Junqueira Vieira para doar o corpo. A Escola Paulista de Medicina deve receber a doação, segundo informações da família da vítima. Como ela morreu na hora - após ser atropelada por um ônibus - os órgãos da vítima não podem ser doados.   Márcia fazia parte do grupo Bicicletada e assinava o Manifesto dos Invisíveis, documento que pede a adoção da bicicleta como meio de transporte, com mais investimentos na construção de ciclovias. "Ela não usava ônibus, não tinha carro, fazia tudo de bicicleta", disse o arquiteto Daniel Ingo, companheiro de passeios de Márcia. "No domingo mesmo fomos para a praia pedalando." Para o ciclista Albert Pelegrini, que também faz parte do Bicicletada, Márcia foi vítima de uma disputa que acontece todos os dias no asfalto da Paulista. "É uma manobra padrão dos ônibus acelerar e fechar a bicicleta", diz. "A gente fica sem saída. A Márcia era experiente, o problema é que sempre tratam a gente como uma coisa invisível."   A massagista é mais uma vítima da guerra diária que envolve motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas. Todos os dias, o trânsito de São Paulo mata em média 4,3 pessoas e fere com alguma gravidade pelo menos outras 72 - uma "epidemia" que faz mais vítimas fatais que aids, insuficiência cardíaca e tuberculose, conforme revelou o Estado em setembro.   Segundo testemunhas do acidente, o ônibus guiado por Márcio de Oliveira acelerou e avançou na segunda faixa para ultrapassar a massagista, que circulava perto do meio-fio. Quando voltou, aparentemente acabou acertando o guidão da bicicleta. Oliveira, de 53 anos, é motorista há 28 anos e afirmou em depoimento que nunca havia se envolvido em acidentes. Ele disse ainda que parou o ônibus depois de ter ouvido uma pancada seca.

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