TV Estadão | 28.06.2015
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No 1º dia útil, ciclistas rotineiros aprovam ciclovia da Paulista

Usuários de bicicleta que já usavam a avenida para trabalhar se sentem agora mais seguros para trafegar no equipamento exclusivo

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

29 Junho 2015 | 11h56

Atualizada às 22h18

SÃO PAULO - Entregadores de comida, de água e outros trabalhadores que antes pedalavam entre os carros da Avenida Paulista foram os que mais usaram os 2,7 quilômetros da nova ciclovia, nesta segunda-feira, 29. Nas horas de maior movimento, pedestres e ciclistas tiveram convivência harmoniosa. Poucos que caminhavam pelas calçadas da avenida reclamaram da presença maior de bicicletas.

Foi o caso da aposentada Leonor Vidal, de 76 anos, que andava pela pista exclusiva para bikes, fora das ilhas de proteção para pedestres. “Essa bicicleta quase me atropelou, veio muito rápido”, disse. Pouco depois, ela assumiu que também estava errada. “Na verdade, eu não deveria nem caminhar por aqui. Estava distraída e só percebi que estava no caminho das bicicletas quando uma delas quase me derrubou.”

O que aconteceu com Leonor foi uma exceção. Os pedestres que passam pela avenida diariamente já estavam se preparando para o início da operação da ciclovia. E os ciclistas que passam pela via em dias úteis – com um perfil diferente dos que estiveram na avenida no domingo, durante a inauguração – se sentiram mais seguros. 

O chapeiro Francisco Araújo, de 37 anos, pedala pela Paulista há 12 anos. Morador da Liberdade, na região central, ele usa a bicicleta diariamente para chegar à lanchonete onde trabalha, no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste.

Como pedala há mais de uma década pela avenida, Araújo disse ter se “acostumado” com as fechadas dos motoristas e motociclistas. “Agora, ficou mais protegido e seguro.” Para chegar ao Largo da Batata, ele precisa descer a Avenida Rebouças. “Lá, vou pela calçada, porque acho muito perigoso.”

O entregador Augusto Zorello, de 24 anos, também aprovou a ciclovia recém-inaugurada. No início da tarde desta segunda, ele já havia feito duas viagens pela ciclovia para entregar comida em ruas no entorno da Paulista. “É essencial ter ciclovia aqui. Eu pedalo pela cidade inteira, defendo a causa das bicicletas. O que fizeram na Paulista vai humanizar o trânsito”, afirmou Zorello. 

O primeiro dia útil da nova ciclovia também foi marcado pela curiosidade, principalmente dos pedestres, que não se sentiram intimidados em esperar o semáforo verde para atravessar a avenida nas áreas de proteção do canteiro central do viário. 

“Eu já estava esperando pela ciclovia e, agora, presto bem mais atenção no trânsito”, afirmou o professor de inglês Benjamin Halel, de 40 anos. Ele não tem carro, mora perto da Paulista e disse que faz “tudo a pé”. 

Para conscientizar motoristas, ciclistas e pedestres, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) colocou jovens vestidos de palhaço pela avenida. Eles distribuíam folhetos educativos e também davam broncas em quem desrespeitava as regras de trânsito. Ciclistas, pedestres e motoristas que não obedeciam ao sinal eram vaiados e recebiam panfletos.

Para Horácio Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), a ciclovia ainda vai criar conflitos no trânsito. “Os ciclistas não vão pedalar em linha reta do Jabaquara até a Vila Madalena pela Paulista. Uma hora eles vão querer pegar as transversais e fazer conversões.” 

Agradou. O prefeito Fernando Haddad (PT) deve receber até o fim da semana um relatório da CET sobre o fechamento da Paulista para carros. Caso a Prefeitura opte pela interdição definitiva aos domingos, o Município consultará o Ministério Público Estadual (MPE). 

Haddad aprovou a experiência de domingo. “As primeiras impressões são boas. O que entendo é que São Paulo foi notícia no mundo inteiro pelo simbolismo do projeto que fez. Seu principal cartão-postal agora contempla uma perspectiva de futuro mais amigável em relação à cidade.”

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