Ciclista que Thor Batista atropelou estava alcoolizado

Ele tinha 15,5 decigramas de álcool por litro de sangue; com 2 decigramas, lei considera que a pessoa é incapaz de dirigir carro

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

24 Março 2012 | 03h04

O exame toxicológico feito no corpo de Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos, mostra que ele estava alcoolizado quando foi atropelado e morto por Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, no último sábado. Foi detectada a concentração de 15,5 decigramas de álcool por litro de sangue de Santos. Em comparação, a lei considera incapaz de dirigir um automóvel quem tiver 2 ou mais decigramas de álcool por litro de sangue.

O advogado da família de Santos, Cléber Carvalho, disse ontem que ainda não teve acesso ao laudo, produzido pelo Instituto Médico-Legal (IML), e que vai avaliar a necessidade de pedir uma contraprova.

Segundo Carvalho, Thor, que tem 20 anos, se encontrou com a mulher e a tia de Santos anteontem à noite no escritório de seu advogado, no centro do Rio. "Mas não discutiram nada sobre indenização e vão se encontrar de novo em outra ocasião." Segundo o advogado, a reunião durou meia hora.

O jornal O Globo divulgou ontem que, em 27 de maio de 2011, Thor teria atropelado um ciclista de 86 anos na Avenida Sernambetiba, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. O ciclista teria fraturado a bacia e precisou colocar duas placas e cinco parafusos. Thor teria prestado socorro à vítima e pago todas as despesas médicas. A família não registrou queixa nem pediu indenização. A assessoria de Thor restringiu-se a afirmar, ontem, que não vai comentar o caso.

Para Carvalho, o atropelamento anterior não influencia na investigação da morte de Santos. "Esse fato, se é que existiu, não serve para nada, porque não foi registrado, não houve queixa, nem inquérito, nada."

Investigação. A Polícia Civil continua investigando o atropelamento do último sábado, na Rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense). Thor não foi indiciado. Segundo o delegado Mário Arruda, da 61.ª DP (Xerém), o filho de Eike só será acusado de homicídio culposo (sem intenção) se ficar comprovado que conduzia sua Mercedes-Benz SLR McLaren acima da velocidade permitida para a rodovia, de 110 km/h.

O laudo que vai indicar a velocidade do carro deve ser concluído em 15 dias. Thor afirma que trafegava dentro do limite. Se a perícia confirmar isso, o inquérito será arquivado e Santos será considerado responsável pela própria morte.

Desde o acidente, Thor nega ter sido culpado pelo atropelamento. Segundo ele, o ciclista estava atravessando a pista quando foi atingido. A família chegou a alegar que Santos estava no acostamento, mas a polícia diz que, segundo testemunhas, ele atravessava a pista quando foi atropelado.

Pelo Twitter, o filho de Eike disse que, ao ver Santos, brecou a Mercedes-Benz, reduzindo sua velocidade para 90 km/h, mas não conseguiu evitar a colisão e o ciclista morreu na hora. Após prestar depoimento, na última quarta-feira, Thor lamentou o acidente e afirmou que vai prestar todo o auxílio necessário à família da vítima.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.