Ciclista morre atropelada por ônibus na Paulista

Juliana Dias era pesquisadora do Hospital Sírio-Libanês; motorista foi autuado por homicídio culposo e pagou fiança de R$ 1,5 mil

WILLIAM CARDOSO , CAMILLA BRUNELLI , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

03 Março 2012 | 03h02

Atualizado às 6h15

 

Uma ciclista de 33 anos morreu na manhã de ontem, perto do cruzamento da Avenida Paulista com a Rua Pamplona. Para desviar de um ônibus que fazia uma ultrapassagem, ela se desequilibrou, caiu e acabou atropelada e morta por outro coletivo. A bióloga Juliana Dias era pesquisadora do Hospital Sírio-Libanês e ia da Vila Mariana para o trabalho.

O caso ocorreu a poucos metros do local onde a massagista Márcia Prado foi atropelada e morta por um ônibus, em 2009. Juliana era cicloativista e saía com grupos para plantar árvores. O acidente interditou duas faixas da Paulista das 9h30 às 12h50, no sentido Consolação. À noite, cicloativistas fizeram um protesto na Paulista.

 

O velório de Juliana ocorre desde as 3h30 no Cemitério Parque das Flores, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. O enterro, segundo familiares, será realizado às 10 horas, no mesmo cemitério, localizado no Jardim Morumbi, Às 4h45, havia três parentes no cemitério cuidando dos trâmites burocráticos. A cerimônia é  particular e restrita aos familiares da bióloga.

Juliana trafegava pela segunda faixa, enquanto um ônibus ocupava a faixa preferencial. Outro coletivo tentou uma ultrapassagem e foi até a terceira faixa. Testemunhas relataram que Juliana se desequilibrou nesse momento, após tirar uma das mãos do guidão e gesticular contra o motorista de ônibus, Reginaldo Francisco dos Santos, de 36 anos. Ela caiu e acabou atropelada pelo coletivo dirigido por José Carlos Lopes, de 54 anos.

Lopes já conhecia de vista a vítima, que via no mesmo trajeto há mais de um ano. Ao ver a bióloga morta, ele desmaiou. Pedestres que presenciaram o acidente ainda tentaram linchá-lo. Após prestar depoimento, Lopes foi liberado pela polícia.

A delegada Victoria Guimarães, do 78.º DP, decidiu autuar Santos - que foi entregue por cicloativistas - em flagrante por homicídio culposo (sem intenção de matar). Ele foi ouvido à noite e afirmou que fez a ultrapassagem de forma correta. Santos pagou fiança de R$ 1,5 mil e vai responder em liberdade.

No depoimento, Santos estava bastante emocionado. "Ele disse que não quer mais dirigir, que tem filhos e eles também andam de bicicleta. Ficou bastante abalado", afirmou a delegada.

As testemunhas ouvidas divergem sobre o que ocorreu. A depiladora Maria Célia Fagundes, de 44 anos, viu o atropelamento da faixa de pedestres. Para ela, foi um acidente. Já o estudante e ciclista Mateos Augusto, de 17 anos, relatou que Juliana chegou a ser fechada por um carro e pelo ônibus. "Aos gritos, ela pediu mais atenção ao motorista. Aí ele voltou para acertá-la. Ela desviou e caiu." A delegada espera que mais testemunhas ou imagens de câmeras permitam definir melhor o que aconteceu. (Colaborou Ricardo Valota)

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