Ciclista estava na pista, diz delegado

Inquérito será arquivado caso fique provado que Thor não excedeu velocidade

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 03h02

O delegado Mário Arruda, que investiga o acidente em que Thor Batista, de 20 anos, filho do empresário Eike Batista, atropelou e matou um ciclista, já descartou a possibilidade de o acidente ter ocorrido no acostamento, como alega a família da vítima. "Pelo que apurei até agora, a vítima estava na pista", afirmou o delegado.

O acidente foi no sábado, na Rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo Arruda, Thor só será indiciado por homicídio culposo (sem intenção) pela morte de Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos, se ficar confirmado que ele trafegava acima do limite permitido de velocidade, de 110 km/h. Caso a perícia indique que o veículo estava dentro do limite, o inquérito será arquivado.

O filho de Eike nega que estivesse em velocidade não permitida. O laudo que vai indicar a quanto estava o Mercedes-Benz SLR McLaren dirigido por Thor no momento do acidente será concluído em 20 dias.

Ontem, Thor prestou depoimento a Arruda na 61.ª DP (Xerém) durante 1 hora e 20 minutos. A apresentação estava marcado para as 15 horas, mas Thor chegou à delegacia às 9h, acompanhado pelo amigo que estava no carro com ele no momento do acidente, dois advogados e cinco seguranças. O grupo chegou em duas peruas Tucson.

Vinicius Racca, que estava no banco do carona, foi o primeiro a depor e não falou com a imprensa. Por volta das 14h20, Thor saiu da delegacia e, sem responder a perguntas, fez um pronunciamento aos jornalistas. "Lamento profundamente a perda do Wanderson, eu respeito a dor da família, a perda de um ente querido é complicado."

Durante o depoimento, Thor foi acompanhado pelo advogado Celso Vilardi. Segundo ele, o acidente foi "inevitável". "Existem elementos seguros para afirmar que o atropelamento aconteceu no meio da pista." Eike também contratou o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos para defender o filho.

Multas. Vilardi também falou que não há relação entre as multas recebidas por Thor e o acidente. "Ele não foi notificado e a habilitação era válida."

Segundo o Departamento de Trânsito do Estado do Rio (Detran-RJ), o filho de Eike recebeu 11 multas desde dezembro de 2009, quando recebeu sua primeira carteira de habilitação. Cinco delas foram aplicadas durante o estágio probatório de 12 meses, período em que Thor deveria perder a carteira se cometesse qualquer infração. Mas as multas só foram processadas depois que ele havia adquirido a carteira definitiva. Por isso, as infrações não causaram a suspensão da habilitação.

As multas aplicadas depois do período probatório e não passíveis de recurso somam 19 pontos. A carteira pode ser cassada quando atinge 20 pontos.

A defesa de Thor alega que as multas podem não ser do jovem, pois ele teria trocado de carro e em muitas ocasiões sai com motorista e segurança.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.