Chuvas não aliviam e Cantareira chega a 16,9% de sua capacidade

Sistema, o principal da Grande São Paulo, voltou a bater o recorde de esvaziamento

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2014 | 13h23

CAMPINAS - As chuvas dessa última semana de fevereiro ainda não resolveram o problema de esvaziamento dos reservatórios Sistema Cantareira, maior fonte de abastecimento da Grande São Paulo. Nesta terça-feira, 25, as represas atingiram 16,9% de sua capacidade.

O índice, pior registrado desde sua construção, em 1974, confirma os estudos de projeção feitos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que opera o sistema, que apontavam que em março as represas chegariam a 16% de sua capacidade.

O cenário só deve começar a estabilizar a partir deste final de semana. Previsão da Somar Meteorologia divulgada ontem mostrou que uma frente fria estaciona na Região Sudeste do País a partir desta sexta-feira - início do fim de semana prolongado de Carnaval.

A previsão é que deve chover intensamente a partir do sábado e assim permanecerá até o sábado, 6, nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. As precipitações atingirão também o Sul de Minas e a região de Bragança Paulista, área de influência para a recarga dos rios e represas que compõem o Cantareira.

Em Camanducaia (MG), área de nascente de um dos rios que abastecem o Cantareira, choverá em uma semana quase o volume todo esperado para o mês de março. Com isso, a Sabesp espera que a partir do próximo mês as represas começarão a encher.

Dilúvio. Só um dilúvio resolveria o problema de reserva de água do Cantareira para os meses de seca, que começam a partir de abril, com a chegada do frio. Estudos técnicos do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) apontam que precisaria chover em dois meses cerca de 1 mil milímetros para que as represas entrem no período de inverno com 50% da capacidade.

Para se ter uma ideia, em 2010, na última grande cheia do sistema, quando as comportas tiveram que ser abertas pela primeira vez para que não transbordassem, choveu 1,5 mil mm em todo ano.

"Para a elaboração desse cálculo levamos em conta que 25% das chuvas infiltram ou se perdem, 75% das chuvas irão encher os reservatórios e a chuva cairá em 50% da área de drenagem", explica José Cézar Saad, coordenador de projetos do Consórcio do PCJ.

Segundo boletim do grupo anticrise do Cantareira, criado por determinação dos governos federal e estadual, o volume de água que está entrando dos rios nos reservatórios (8 mil litros por segundo) equivale a 13% da média para o período.

Pelo documento, se consideramos apenas as represas que entram na partilha da água entre a Grande São Paulo e a região de Campinas, o volume de água que pode ser usado está em 16,6% de sua capacidade.

O Cantareira abastece 8,8 milhões de pessoas na Grande São Paulo e ainda 5,5 milhões de pessoas na região de Campinas.

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