Chuva volta a castigar São Luiz do Paraitinga

Três anos depois da maior enchente da história da cidade, 400 pessoas já foram obrigadas a deixar suas casas por causa da cheia do Rio Paraitinga

REGINALDO PUPO , ESPECIAL PARA O ESTADO , SÃO LUIZ DO PARAITINGA, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2013 | 02h04

Pelo menos 400 pessoas estão desalojadas em São Luiz do Paraitinga, a 182 km de São Paulo. Segundo a Defesa Civil, o motivo foi o transbordamento do Rio Paraitinga, que corta a cidade, depois das fortes chuvas nos últimos quatro dias no Vale do Paraíba. As águas atingiram cerca de 100 casas e estabelecimentos comerciais.

O rio começou a subir na tarde de sexta-feira e, às 3h de anteontem, já estava 3,5 metros acima do nível. Ontem, com forte correnteza, ultrapassou os 4 metros, mas à tarde baixou 50cm. Segundo agentes da Defesa Civil, a cidade segue em estado de atenção, pois a chuva voltou. A cheia foi provocada por temporais em Cunha, a 65 km, onde está a nascente do Rio Paraitinga.

As tranquilas ruas de São Luiz ficaram movimentadas. Moradores olhavam, incrédulos, o rio subindo e as águas invadindo ladeiras perto do centro histórico. Muitos contam que nem dormiram, por medo de que a enchente invadisse suas casas. Eles temem reviver a fatídica noite de 31 de dezembro de 2009, quando mais de 2 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as residências após o rio transbordar. Uma tromba d'água destruiu até a histórica Igreja Matriz.

Temor. Dono de avícola, o comerciante Gerson Mera, de 48 anos, era um dos que "monitoravam" a subida do Paraitinga na madrugada de sábado. "As previsões são pessimistas e o rio continuará subindo. Comprei 300 frangos para assar neste domingo e temo perder tudo", disse. "O transbordamento só não foi pior porque fizeram desassoreamento. Se não fosse isso, toda a cidade já estaria tomada."

A também comerciante Terezinha Lopes, de 46, se preocupa. "Caso ocorra algum problema, a cidade não tem nem Corpo de Bombeiros. O mais próximo fica em Taubaté, a 45 km daqui."

O vice-prefeito Luiz Carlos Pião (PTB) afirmou que a Defesa Civil está removendo moradores ribeirinhos. "Colocamos um caminhão à disposição para levar as mudanças. Mas as casas que correm risco iminente de ser atingidas pelas águas terão seus moradores desalojados."

Rodovias. Também no interior, chuvas causaram ontem a interdição de duas rodovias. Em Marília, a 438 km de São Paulo, o Rio Tibiriçá transbordou e cobriu a Rodovia Dona Leonor Mendes de Barros (SP-333), na altura do km 331,8. O trânsito foi desviado para a Transbrasiliana (BR-153). No fim da tarde, as águas já tinham baixado, mas a liberação do tráfego dependia da avaliação de um duto sob a pista. Em Tapiraí, queda de barreira interditou parcialmente a Rodovia Santos Dumont (SP-79), no trecho de serra que liga a cidade a Juquiá. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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