Chuva transforma ida ao trabalho em missão impossível

Na Barra Funda, paulistanos optavam por esperar ônibus ou ir a pé; ônibus de viagens não conseguiam chegar

Bia Rodrigues, estadao.com.br

08 de dezembro de 2009 | 12h40

Paulistanos aguardam chegada de ônibus fretados no Terminal Barra Funda  

 

SÃO PAULO - A chuva que castiga a capital paulista desde a madrugada desta terça-feira, 8, transformou a ida ao trabalho em uma missão quase impossível. Até as 12h30, a cidade registrava 65 pontos de alagamento, sendo que 26 deles estavam intransitáveis.

 

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No Terminal da Barra Funda, as pessoas esperavam a chegada de ônibus ou optavam por ir a pé até o trabalho. Era a única saída, já que os táxis que fazem ponto no terminal se recusavam a fazer corridas e os ônibus que conseguiam chegar não tinham como sair. Com água até o calcanhar, pedestres ocuparam a Marques de São Vicente. Muitos desistiram ao chegar na praça em frente a Federação Paulista de Futebol, na entrada da Ponte do Limão. A sede da torcida TUP, do Palmeiras, foi tomada pela água.

 

A secretária Vera Fernandes, 40, sentou junto com outros colegas do escritório de advocacia para esperar a chuva e a enchente diminuírem. "Eu vi que estava chovendo e saí às 6 horas de casa, uma hora antes do normal. Estou esperando a água baixar para conseguir chegar até o escritório que é bem perto daqui", disse Fernandes. Segundo ela, a orientação para aguardar foi passada pelo administrador do escritório. Apenas ele e uma advogada conseguiram chegar.

 

Já o analista de planejamento Fábio Câmara, 30, esperava o ônibus da empresa desde as 8h30 na plataforma de embarque dos fretados. "Eu trabalho em um prédio na Marginal Tietê e geralmente chego em dez minutos lá. Só uso o fretado nas terças-feiras porque é o rodízio do meu carro", contou. "Meu limite para esperar era às dez horas, mas falei com a gerente e ela pediu para eu aguardar mais um pouco", completou.

 

Viagens para o interior

 

As pessoas que tentavam embarcar para o interior do Estado de São Paulo não tinham outra opção a não ser esperar. "Os ônibus das 7h30 foram os últimos a deixar o Terminal Barra Funda indo para Bauru e Marília", informou o encarregado do guichê do Expresso de Prata, José Mangili, por volta das 8h40 desta terça-feira. Segundo ele, os ônibus continuavam parados na praça logo após a saída do terminal.

 

"Para as pessoas que chegam ao guichê avisamos que não há previsão de saída. Só vendemos para aqueles que querem mesmo, mas informamos que no momento nenhum ônibus entra ou sai do terminal. O último ônibus chegou às 6 horas", completou Mangili.

 

Enquanto isso, na plataforma de embarque, muitas pessoas aguardavam e se distraíam como podiam. O modelo Marcelo Gomes, 25 anos, e o amigo Nelson Serrão, 29, professor universitário da Unesp, tentavam seguir viagem para Botucatu. "Compramos as passagens às 7h15 para o ônibus das 7h30. Já estamos esperando há quase duas horas e não chega nenhum ônibus aqui", disse Gomes. "Vamos esperar até as 10 horas e depois voltamos para casa. O jeito é tentar trocar a passagem e viajar no período da tarde", completou Serrão. O professor universitário tinha aula às 10 horas na Unesp em Botucatu e esperava conseguir chegar pelo menos às 17 horas ao trabalho.

 

Os amigos estavam conectados à internet e acompanhavam a situação da capital paulista pela TV via celular. "Ligamos para um amigo nosso que estava indo para Caieiras. Ele desistiu de ir trabalhar e está tentando voltar para casa. Pelo telefone, estamos avisando quais vias estão intransitáveis e quais ele pode conseguir passar", contaram.

 

A aposentada Maria Pequeno Pereira, 73, esperava em frente à plataforma 6 para embarcar para Araçatuba, pela companhia Reunidas. "Minha passagem é para às 10 horas. O horário está próximo, mas sei que não vou conseguir pegar o ônibus. Os carros das 7h30 ainda não saíram. Mas vou ficar aqui esperando", contou.

 

Já as irmãs Eliana Bernardo, 35, e Edna Bernardo Bonfim, 31, aguardavam o embarque para Tatuí com três crianças. "Eu vim para São Paulo buscar minha irmã. Chegamos aqui às 6 da manhã para pegar o ônibus das 7, mas já são quase 10 e ainda não conseguimos", contou Eliana. "Ninguém da empresa veio até aqui falar com a gente. Às vezes passa alguém e perguntamos. Eles dizem que devemos esperar e não há previsão para embarcarmos", disse Edna.

 

Segundo o CGE, para as próximas horas a chuva deve continuar na Grande São Paulo com a mesma intensidade, sem perspectiva de melhora. A média de precipitação, desde 0h até as 7h desta terça-feira, foi de 54,8 mm, e nas últimas 12 horas, de 64,4 mm. Já choveu neste mês de dezembro 122,1 mm, o que equivale a 60,75% da precipitação média para o mês.

 

(Colaboraram Pedro Venceslau, de O Estado de S.Paulo, e Eric Akita, do estadao.com.br)

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