Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Chuva para e SC começa trabalho de reconstrução

Estado registra três mortes, 91 cidades atingidas e milhares de desabrigados pelas cheias; Exército e Força Aérea estão ajudando

Carla Cavalheiro, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

FLORIANÓPOLIS

A previsão do tempo se confirmou ontem. O sol e a redução do nível do Rio Itajaí-Açu na madrugada contribuíram para que o cenário de destruição que afeta mais de 800 mil pessoas em Santa Catarina se tornasse mais animador e facilitasse o início dos trabalhos de reconstrução e atendimento a desabrigados e desalojados pela Defesa Civil do Estado.

Exército, Força Aérea e centenas de voluntários iniciaram ontem a limpeza das cidades e o atendimento aos desabrigados. Ainda há gente em regiões ilhadas. "Com a redução do nível da água, a limpeza das casas e a confirmação de que não há risco de essas pessoas retornarem a seus lares, esse número vai diminuir. Até segunda-feira os dados serão mais positivos", calculava ontem o major Émerson Emerim, da Defesa Civil catarinense.

Os relatórios do governo sobre o desastre da chuva começaram a mostrar resultados favoráveis principalmente a partir das 19h de sexta-feira, quando o nível do rio começou a baixar mais rápido do que o esperado.

A chuva castiga o Estado desde segunda-feira. Até as 21h30, havia três mortos e, segundo a Defesa Civil, 91 municípios afetados, 13.925 desabrigados e 153.065 desalojados no Estado.

"Apesar da melhora do tempo, isso não diminui os estragos registrados nas 37 cidades que decretaram situação de emergência e também naquelas que decretaram calamidade pública (seis municípios até as 21h30)", afirmou o major Emerim.

Rio do Sul foi a cidade mais atingida no Estado. Pelo menos 50 mil pessoas foram afetadas pela cheia do Rio Itajaí-Açu, que divide a cidade. Cerca de 80% das casas ficaram embaixo d"água.

Itajaí. Com o recuo das águas do Rio Itajaí-Açu, em Blumenau, a preocupação da Defesa Civil se concentra nas consequências que o escoamento poderá ocasionar em Itajaí, no litoral norte catarinense, para onde corre o rio.

A água já deixou 19 bairros submersos, 17 mil desalojados e mais de 2 mil desabrigados na cidade. Segundo o coordenador da Defesa Civil municipal, Everlei Pereira, hoje ainda será um dia de alerta. "Sofremos aqui os reflexos do que ocorre em Blumenau. O pico máximo deve acontecer domingo (hoje)."

Ontem à tarde, a enchente fez a primeira vítima fatal em Itajaí. Antônio José Mendonça, de 50 anos, morreu afogado. Ele estaria embriagado no momento do acidente, no bairro São Vicente, que estava inundado com cerca de um metro de água.

O governador Raimundo Colombo visitou Itajaí ontem e anunciou que repassará R$ 1,5 milhão, dos R$ 10 milhões anunciados para toda a região na véspera, especificamente para a Defesa Civil de Itajaí. / COLABOROU FLÁVIA TAVARES, ENVIADA ESPECIAL

Desabrigada dá à luz em caminhão do Exército

Um fato inusitado foi registrado no início da madrugada de ontem. Uma mulher entrou em trabalho de parto em Ilhota, uma das cidades que ficaram praticamente isoladas durante a enchente. Enquanto era transportada para Itajaí em um caminhão do Exército, o bebê nasceu. Márcia Denise da Cunha e a filha Maria Eduarda estão internadas na maternidade Marieta, em Itajaí, e passam bem.

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