Chuva no litoral isola Maresias e fecha Rio-Santos

Prefeito de São Sebastião decreta estado de calamidade pública; famílias ficam ilhadas e água atinge até 2 metros nas residências

REGINALDO PUPO , ESPECIAL PARA O ESTADO , SÃO SEBASTIÃO, O Estado de S.Paulo

18 Março 2013 | 02h01

A forte chuva que atingiu o litoral norte no fim de semana deixou famílias ilhadas em São Sebastião, isolando Maresias e interditando a Rio-Santos, do km 157 ao 159. Em alguns locais, a água alcançou até 2 metros nas residências. Desde sexta-feira, foram registrados 111,4 mm de chuva, mais da metade do esperado para o mês - 173 mm, conforme o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

O prefeito de São Sebastião, Ernane Billoti Primazzi (PSC), decretou estado de calamidade pública na noite de ontem. Há ao menos 650 pessoas desalojadas no município. O decreto permite acelerar o processo de auxílio aos desabrigados.

Segundo a Defesa Civil, a Rio-Santos deve ser reaberta apenas hoje de manhã porque havia risco de mais deslizamentos. As Rodovias Mogi-Bertioga e dos Tamoios também tiveram quedas de barreira.

A situação mais crítica é a da comunidade Vila Lobo Guará, em Cambury, onde 125 pessoas tiveram de ser removidas das casas de barco. "O número de desabrigados pode aumentar", afirmou o coordenador local da Defesa Civil, Carlos Eduardo dos Santos. Em Boiçucanga, 154 pessoas foram levadas para um ginásio. Outras 34 pessoas do bairro Baleia também tiveram de deixar suas casas.

Praias. Em alguns locais, a água chegou a atingir 2 metros de altura e moradores caminhavam pelas ruas com água na altura do peito. A situação é mais grave na região sul de São Sebastião, que concentra as praias mais procuradas por turistas.

Os rios daquela região transbordaram e inundaram dezenas de vias. Muitas pessoas deixaram as casas e levaram o que puderam, temendo a repetição da tragédia que aconteceu há 15 dias, quando uma tromba d'água atingiu a área, arrastando pontes, carros e destruindo casas. Uma menina de 11 anos morreu levada pela enxurrada.

Na Rua Nova Iguaçu, em Maresias, homens utilizando barcos e caiaques, vestidos com roupas de mergulho, auxiliavam moradores a sair ou chegar em suas casas. Na Rua do Cascalho, em Boiçucanga, a rua se transformou em rio, segundo relatos de moradores. Algumas pousadas de Maresias ficaram completamente alagadas, obrigando os hóspedes a deixar mais cedo os estabelecimentos.

"Há 15 dias, perdi parte dos móveis em outra enchente. Agora estamos tentando salvar o que for possível. É sempre a mesma coisa, basta chover forte e tudo fica alagado", disse o pedreiro Luiz Paulo dos Santos, de 39 anos.

Para piorar a situação, a água que desce da serra - e normalmente deságua no mar - está represada nos rios por causa de uma ressaca que também atinge o litoral paulista. Nas principais praias, as ondas variavam ontem entre 3,5 metros e 4 metros e as faixas de areia desapareceram.

Interdições. A interdição na Rio-Santos causou uma fila de carros de 5 km, no fim da tarde. Já o bairro Maresias estava complemente isolado, por causa da queda de seis barreiras que interditaram a Estrada do Cascalho, ligando Boiçucanga ao bairro. Para os motoristas, as opções eram Anchieta e Tamoios.

Muitos turistas retornavam para as cidades de origem após passar o fim de semana na região e enfrentaram lentidão e quilômetros de filas. Outra barreira interditava a rodovia entre Juqueí e Barra do Una. Havia mais de dois metros de terra sobre a pista.

Ainda na Rio-Santos, a reportagem testemunhou diversos acidentes provocados por aquaplanagem. Em um deles, uma mulher presa às ferragens aguardava socorro, na região de Toque-Toque Grande. Várias quedas de barreiras e árvores foram registradas ao longo da Rio-Santos entre Ubatuba e São Sebastião. Em alguns trechos também havia muita lama na pista.

Já no litoral sul a chuva não trouxe grandes prejuízos. No Sistema Anchieta-Imigrantes, só a neblina dificultava a viagem.

Para hoje, a previsão é de que a chuva continue no litoral, com intensidade menor. Pode ocorrer maior precipitação em pontos isolados, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.