Chuva não desanima público da Parada Gay em São Paulo

Sob o lema 'Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!', evento pode ter atraído 3 milhões; PMs prenderam participantes com drogas

Flávia Tavares, Marcela Gonsalves, Wellington Bahnemann e Carolina Spillari, estadão.com.br

26 de junho de 2011 | 12h55

SÃO PAULO - A chuva que caiu sobre a Avenida Paulista neste domingo, 26, não desanimou o público que participou da 15ª Parada do Orgulho LGBT na capital paulista. A estimativa é de que o evento atraiu cerca de 3 milhões de pessoas. Foram registradas poucas ocorrências durante o evento. À tarde, policiais militares prenderam três pessoas na região da Avenida Paulista com 56 porções de cocaína e 160 frascos de lança-perfume. Os detidos foram encaminhados ao 4°DP, na Consolação, e ao 78°, nos Jardins.

 

O número de furtos e roubos também foi baixo. No 4º DP, da Consolação, uma estimativa parcial dava conta de menos de 20 ocorrências como essa  na região da Parada. Já o 3º DP, na Santa Ifigênia, registrou apenas dois ou três furtos de celular e documentos. Outros DPs ainda não divulgaram um balanço da Parada.

 

Os 16 trios elétricos começaram a tocar por volta das 11h30, mas o início oficial do evento só aconteceu às 13h30, com uma valsa coletiva. A marcha tinha término previsto para as 18h, na Praça Roosevelt, no centro, para onde a parada segue passando pela Paulista e Rua da Consolação.          

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital, Gilberto Kassab, participaram do evento de abertura da parada, pela manhã. A parada, cujo lema este ano é "Amai-vos uns aos outros - Basta de homofobia", está entre os três maiores eventos turísticos da cidade, junto com a Fórmula 1 e a Virada Cultural. Ao discursar, Kassab afirmou que o ato é a oportunidade de mostrar ao mundo que São Paulo é uma cidade que respeita a cidadania e a diversidade.

 

Alckmin destacou a importância econômica, turística e de cidadania que o evento tem para o Estado, injetando R$ 200 milhões na economia paulistana e movimentando três milhões de pessoas do Brasil e do exterior. "É importante para a cidadania no sentido de estabelecer direitos, evitar a intolerância, e avançar no arcabouço jurídico. A decisão do STF (que legalizou a união homo afetivano País) não ocorreria se não houvesse conscientização sobre a importância do tema na sociedade brasileira", afirmou.

 

Também participaram do evento de abertura da parada, na sede da Fecomércio, a senadora e vice-presidente do Senado Marta Suplicy, o deputado Jean Willys, a cantora Preta Gil, o presidente da Associação Parada do Orgulho Gay, Ederaldo Beltrami, o líder da Associação LGBT, Toni Reis, o ator Sérgio Mamberti, que representou o Ministério da Cultura, e o representante da Frente Religiosa contra a Homofobia, Anivaldo Padilha.

 

Ederaldo Beltrame afirmou que a maior demanda do movimento atualmente, além da criminalização da homofobia, é a garantia dos direitos das travestis e transexuais. Segundo Beltrame, parte dos homossexuais já é reconhecida pela sociedade, mas as travestis ainda enfrentam problemas.

 

Já Toni Reis reafirmou o caráter político da parada. "É uma festa da cidadania, não é só um carnaval fora de época", disse. Sobre a união de casais homossexuais, ele ressaltou: "Nós não queremos destruir a família de ninguém, queremos construir a nossa."

 

PLC 122. Durante o evento, a Marta anunciou que há um esforço no Congresso para reduzir a resistência ao projeto que criminaliza a homofobia no País. Segundo ela, a negociação em torno do texto que tramita há vários anos, conhecido como PLC 122, poderá incluir a mudança no número do projeto, mas não do conteúdo, amplamente criticado pela bancada religiosa. "Demonizaram tanto o projeto que fica difícil aprová-lo com esse número. Como dizer que o demônio não é mais o demônio?", ressaltou.

 

Sem detalhar as mudanças no texto, a senadora disse que uma das alterações incluída na negociação com a bancada cristã do Congresso é no artigo 20, cuja nova redação inclui a criminalização daqueles que induzirem à violência contra homossexuais. "Conseguimos um meio termo nessa questão", afirmou.

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