Chuva muda rotina de escolas, clube e comércio

Colégio Porto Seguro só reabre terça e o Santa Cruz encerrou aulas mais cedo; concessionária não pode receber clientes

Artur Rodrigues, Caio do Valle, Juliana Deodoro, Nataly Costa e William Cardoso, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h07

A chuva de ontem e os reflexos do temporal da quinta-feira alteraram a rotina dos paulistanos. Colégios ficaram sem aula, a sede social do São Paulo Futebol Clube fechou e a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) ficou submersa.

Ontem, a cidade registrou mais 16 pontos de alagamento e o transporte público voltou a ter problemas: parte da Estação Tucuruvi, da Linha 1-Azul do Metrô, encheu de água. O Metrô não se pronunciou.

No Colégio Visconde de Porto Seguro, no Morumbi, zona sul de São Paulo, a água invadiu as salas e as aulas tiveram de ser suspensas para limpeza e manutenção. Os cerca de 4 mil alunos só poderão voltar na terça-feira.

A engenheira Claudia Bonan, de 43 anos, disse que os dois filhos que estudam no colégio, de 13 e 9 anos, ficaram surpresos com a inundação. "Houve evacuação, mas todos saíram tranquilos mesmo em meio ao caos." Ela critica a ausência de obras antienchente no bairro. "As instituições privadas têm todo o investimento necessário, mas falta a infraestrutura pública."

No Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, zona oeste, as aulas terminaram mais cedo ontem, assim que as nuvens escuras surgiram. A escola não se pronunciou. Na USP, a inundação destruiu o auditório de música da ECA. "Ainda vamos avaliar o comprometimento dos móveis. Mas nada que comprometa a volta dos alunos no dia 25", disse Mauro Wilton, diretor da ECA

São Paulo. A sede social do São Paulo, no Morumbi, vai ficar fechada por dez dias. Segundo o vice-presidente social, Roberto Natel, a água ultrapassou o muro de 2 metros que já havia sido reforçado para servir de barreira contra a chuva. As perdas foram grandes: todos os equipamentos de uma sala de fisioterapia recém-inaugurada, além de uma cozinha que acabara de passar por reforma de R$ 300 mil. "Parecia um tsunami", disse Natel.

O vice-presidente de futebol, João Paulo de Jesus Lopes, culpa a Prefeitura. "Eles não fazem as obras." Lopes refere-se à construção de piscinões e canalização de córregos.

Pompeia. Bairro onde os alagamentos são recorrentes, a Pompeia, na zona oeste, acumulava prejuízos. Um estacionamento na esquina da Rua Venâncio Aires com a Avenida Pompeia parou de receber mensalistas e avulsos. Só aceita lojistas de estabelecimentos próximos. "Em outras épocas, temos em média 20 mensalistas e ficamos com a chave. Mas, agora, não dá para retirar o carro antes de alagar", explica o funcionário Pedro Mário da Silva, de 22 anos.

Na concessionária de veículos Caltabiano, ao lado do Viaduto Pompeia, o expediente ontem foi de faxina. "Passamos parte do dia fazendo limpeza e manutenção da loja", disse o diretor comercial, Rogério Carvalho. Sobre os antigos planos da Prefeitura de construir um piscinão na área, Carvalho é irônico. "Tem piscinão sim. Quando chove. Daqui a pouco, além de carros, vamos vender botes."

O funileiro Edvaldo de Souza, de 37 anos, afirma que está sem internet nem telefone desde anteontem, quando árvores caíram perto de sua oficina, na Rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, zona oeste. "Há nove anos todos pedem para fazer a poda das árvores aqui e nada acontece", reclama.

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