Chuva mata 1 e tira 1,7 mil pessoas de casa no Rio

Mais de 20 ficaram feridas em 5 cidades do Estado; ruas do distrito de Xerém, em Duque de Caxias, ficaram cobertas por lama e entulho

RIO , O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2013 | 02h08

Os temporais que atingiram o Estado do Rio de Janeiro na madrugada de ontem provocaram a morte de uma pessoa em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e deixaram pelo menos 370 desabrigados e 1.400 desalojados em cinco municípios. Também foram afetadas pelos temporais Angra dos Reis e Mangaratiba, na Costa Verde, e Teresópolis e Petrópolis, na Região Serrana. Mais de 20 pessoas ficaram feridas.

Os estragos acontecem menos de dois anos depois da maior tragédia natural do País. Chuvas que começaram na madrugada de 12 de janeiro de 2011 deixaram 916 mortos e 345 desaparecidos na Região Serrana.

Área mais atingida pelo temporal de ontem, Xerém sofreu a pior tragédia em 40 anos e amanheceu devastada. Ruas cobertas de lama, carros levados pela enxurrada e entulho por toda a cidade formavam o cenário de destruição causado pelo transbordamento de três rios. Pelo menos oito casas foram destruídas pelas das águas. O homem que morreu não havia sido identificado até o início da noite de ontem. Ele aparenta ter 50 anos e seu corpo foi encontrado na Praça da Mantiqueira. Mil pessoas ficaram desalojadas.

Havia ainda um desaparecido: um funcionário da Companhia Estadual de Águas e Esgotos, identificado pelo Corpo de Bombeiros apenas como Enéas, que trabalhava em uma represa quando as chuvas começaram.

A busca por vítimas e os trabalhos de recuperação foram interrompidos às 17h30. "A previsão é de mais chuva durante a noite e por isso vamos deixar quatro equipes de plantão na região. Amanhã (hoje), às 4h, reiniciamos as buscas pelo desaparecido na mata", afirmou o subcomandante-geral dos bombeiros, tenente-coronel Alcântara.

A chuva começou à 0h de anteontem e se intensificou por volta das 2h de ontem. A previsão da meteorologia é de que chova até amanhã na Baixada Fluminense e na Região Serrana.

Recém-empossado, o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso (PSB), percorreu pela manhã os bairros mais atingidos e decretou estado de emergência no município. O prefeito espera que o estado de emergência apresse a liberação de recursos federais para reconstruir Xerém. Segundo Cardoso, serão necessários entre R$ 25 milhões e R$ 35 milhões para as obras. Uma ponte foi destruída e outras duas foram interditadas porque podem desabar.

"Acordei com um forte estrondo e só deu tempo de descer as escadas antes de desabar", contou a dona de casa Osana Ferreira, de 41 anos. "Acordei com um estrondo e quando vi tinha água já na porta de casa. Não consegui tirar a geladeira nem a máquina de lavar", lamentava Lena Pereira, de 57 anos, que mora em um bairro que foi isolado.

A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros interditaram diversas casas na parte baixa de morros pelo risco de desabamento. Ruas inteiras foram bloqueadas pois o asfalto ameaçava ceder.

Outros municípios. Em Angra dos Reis, pelo menos oito casas foram destruídas e 2 mil pessoas foram retiradas de casa por precaução, mas depois foram autorizadas a retornar. Deslizamento de terra deixou três feridos e 320 desalojados.

Em Petrópolis, os Rios Bingen e Piabanha transbordaram. Houve deslizamentos. Em Teresópolis, pelo menos 50 moradores estão desalojados.

Pedras rolaram na Rodovia Rio-Santos (BR-101), no km 505, em Angra dos Reis, e no km 559, em Paraty. As interdições foram parciais. Na Rodovia Rio-Juiz de Fora (BR-040), houve bloqueio parcial no km 92, em Petrópolis, e entre os km 85 e 89. O tráfego na BR-116 Norte, entre Guapimirim (Baixada Fluminense) e Teresópolis, foi interrompido. / ANTONIO PITA, HELOISA ARUTH STURM, MARCELO GOMES e LUCIANA NUNES LEAL

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