Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Chuva já atrapalha os desfiles em São Paulo

Escolas de samba perdem alegorias inteiras e dobram turnos nos preparativos para folia

Ana Bizzotto - O Estado de S. Paulo,

08 Fevereiro 2010 | 10h25

SÃO PAULO- Os preparativos finais para o carnaval ganharam dimensão maior este ano em algumas escolas de samba de São Paulo. Com equipes e jornadas dobradas para consertar os enormes estragos provocados pela chuva, agremiações prejudicadas conseguiram recuperar tempo e trabalho perdidos. Para carnavalescos e diretores ouvidos pelo Estado, as chuvas deste verão foram as piores da história das agremiações.

 

especialMapa das escolas: Ouça os sambas e acompanhe as letras

A escola Pérola Negra investiu na criatividade para driblar os prejuízos. O barracão, embaixo do Viaduto Mofarrej, próximo da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais (Ceagesp), na zona oeste, ficou completamente alagado nos dias 8 de dezembro e 21 de janeiro. Em abril, uma enchente já havia estragado o que seria reaproveitado neste carnaval. Com pouco dinheiro, a escola decidiu secar os tecidos e aproveitar partes que não estragaram para refazer o terceiro carro alegórico. Toda a cobertura, com desenhos de prédios e ruas, foi substituída por pedaços de pano de vários tecidos e cores, e o carro ganhou o nome de Cidade de São Paulo - Colcha de Retalhos.

"Já íamos representar a cidade, de forma convencional. Usamos o pouco que restou para mostrar a diversidade de culturas que temos aqui", explica o carnavalesco André Machado. "O carro acabou se tornando símbolo da volta por cima, do carnaval e do que a cidade tem sofrido." A escola perdeu R$ 50 mil. "Fora o prejuízo financeiro e o trabalho desperdiçado. Ficamos quatro dias após cada enchente só limpando o estrago." A agremiação fará o último desfile de sábado com Vamos Tirar o Brasil da Gaveta, em homenagem a Rolando Boldrin.

TAMANDUATEÍ

Os estragos também foram significativos em dois dos quatro barracões da Imperador do Ipiranga, localizados às margens do Córrego Tamanduateí, abaixo do Expresso Tiradentes. Por sorte, os carros já prontos estavam armazenados nos outros dois locais. "Era muito barro, parecia campo de guerra", descreve o carnavalesco Anselmo Brito. Segundo ele, sempre houve enchentes, mas a água nunca havia entrado nos barracões. "As obras na Marginal (do Tietê) e do Metrô aqui ao lado contribuíram para isso", avalia Brito. O alagamento também foi provocado pelo estouro da galeria pluvial que fica no fundo de um dos terrenos e não resistiu à força da água.

Para conseguir manter o projeto inicial, a escola decidiu refazer tudo que foi danificado. Ela será a primeira a desfilar na sexta-feira com o enredo Da Antiguidade a Tecnologia: Medicina, a nobre arte de salvar vidas. Os investimentos anteriores somavam R$ 1,5 milhão, mas Brito não revelou os gastos necessários para refazer carros e esculturas. A escola, segundo ele, contou com apoio de empresários, da Superliga das Escolas de Samba - que também ajudou outras prejudicadas - e sobretudo da comunidade. A equipe passou de 30 para 70 pessoas, em três turnos.

Única representante da zona leste no Grupo Especial, a Leandro de Itaquera não teve problemas de alagamento, mas sofreu com o excesso de chuvas. Como a maior parte do barracão cedido pela Prefeitura há dois anos na Marginal do Tietê, zona norte, é descoberto, os temporais acabaram com a pintura dos carros, que teve de ser completamente refeita. "É uma chuva que assusta porque vem com muita força", relata o diretor-geral, Rafael Maximiliano Santana. Tecidos mais delicados e esculturas de fibra foram colocados sob o único telhado do barracão, de apenas 100 m². "Se estragar, não vamos ter tempo nem dinheiro para recuperar." Foram gastos 25% a mais para a manutenção pós-chuvas, mas ele garante que tudo estará pronto para desfilar na sexta com o enredo Vermelho e Branco.

POMPEIA

Na Águia de Ouro, os danos ocorreram na quadra, localizada embaixo do viaduto da Pompeia, na zona oeste. A água chegou a 1,70 metro dentro da quadra e 23 freezers foram danificados. Um trecho de 12 metros de comprimento de um muro, refeito após cair no ano passado, desabou novamente. "A quadra sempre alaga, mas a chuva deste ano está muito mais forte. Só em janeiro alagou três vezes. Vários instrumentos foram danificados", relata o mestre de bateria Armando Guerra Júnior, conhecido como Juca. A escola abrirá os desfiles de sábado com um enredo em homenagem a Ribeirão Preto.

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