Chuva fraca já assusta o jardim romano

Medo de novas inundações voltou ontem ao bairro que ficou mais de 2 meses debaixo d'água

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2010 | 00h00

Foram mais de dois meses debaixo d"água entre o final do ano passado e o começo deste ano nas ruas do Jardim Romano, na zona leste. Depois de a tragédia ganhar destaque nos jornais e tevês, veio o longo período de seca, que permitiu aos moradores tentar mudar de assunto. Mas bastaram algumas horas de chuva para a preocupação voltar às rodas de conversa no Jardim Romano.

Na tarde de ontem, as Ruas Capachós, onde fica o Centro de Educação Unificada (CEU), e a paralela Manuel Felix de Lima encheram brevemente por causa das péssimas condições dos bueiros. Em outras ruas sem asfalto, formaram-se pequenas piscinas. "Já é motivo para ficar nervosa. No começo do ano, tive de passar mais de dois meses morando de favor porque minha casa encheu. Não sei se o problema vai se repetir", disse a dona de casa Euclenia Roberta Souza.

Meses depois das enchentes e das medidas adotadas pela Prefeitura e pelo governo do Estado, algumas novidades na paisagem do bairro vieram à tona. A demolição de mais de mil casas na região abriu a visão para as margens do Tietê. Agora, parte dos moradores consegue enxergar do quintal de casa a variação do nível das águas do rio.

Ontem, o Tietê havia subido rapidamente com a chuva e se aproximava das bordas. "Nosso maior medo é o rio subir e voltarmos a ter problema. Como agora conseguimos ver quando o rio está enchendo, parece que o medo cresce", disse a funcionária pública Eli Leite de Freitas. Ela mora em uma casa a cem metros do rio.

Assim como outros moradores da rua onde mora, Eli explica que quer deixar o bairro e, para isso, tenta negociar as condições com a Prefeitura. O desempregado Antônio Carlos dos Santos, vizinho de Eli, tem a mesma ambição. E conta que existe uma pequena cisão entre os moradores nessa luta para deixar o Jardim Romano. De um lado, estariam os invasores, que não pagam impostos nem contas de água e luz. De outro, os habitantes que vivem em casas regulares. "Os invasores acabam recebendo ofertas maiores do que as nossas, que pagamos nossos impostos", reclama.

Esperança. No bairro, há também aqueles que, apesar da chuva, apostam no futuro do Jardim Romano. As obras de um dique e um reservatório, feitas em parceria entre a Prefeitura e o governo do Estado para receber o excesso de águas do Tietê, já estão em fase adiantada. A promessa da Secretaria de Saneamento e Energia é que a obra, cujo custo inicial é de R$ 60 milhões, seja capaz de resolver de vez o problema das enchentes. Isso porque teria sido projetada tendo como parâmetro as chuvas mais fortes dos últimos 25 anos.

O ex-presidente da associação amigos do bairro, Severino Batista da Silva, parece dar crédito às autoridades e garante que acredita nas promessas. "Acho que esse piscinão vai ser suficiente para o bairro não voltar a inundar e ano que vem acho que não volta a encher", afirma. Ele vai mais longe no otimismo. "Já temos a estação de trem Jardim Romano. Esse lugar vai ser o melhor bairro de São Paulo."

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